Vendas de combustíveis marítimos no porto de Fujairah têm leve recuperação em abril
Volume dobra após anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã, mas ataques recentes e falta de oferta mantêm mercado em níveis historicamente baixos
As vendas de combustíveis marítimos no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos — o quarto maior polo de abastecimento (bunkering) do mundo, localizado fora do Estreito de Ormuz —, registraram alta em abril em relação ao menor nível mensal histórico observado em março. De acordo com dados compilados pela Argus, que captura até um quarto das negociações do mercado local, o volume de vendas saltou de cerca de 29.000 toneladas em março para 57.000 toneladas no mês passado. Apesar da recuperação, o total de abril ainda representa o segundo menor nível mensal já registrado. Para fins de comparação, em fevereiro, o volume negociado havia atingido a marca de 162.000 toneladas.
A retomada nas vendas ocorreu logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma extensão por tempo indeterminado do cessar-fogo entre os EUA e o Irã no início de abril, o que encorajou o retorno de algumas embarcações ao porto para reabastecimento. A demanda foi liderada pelo óleo combustível de baixíssimo teor de enxofre (VLSFO), que registrou 37.000 toneladas em vendas, ante 21.000 toneladas em março. As vendas de óleo combustível de alto teor de enxofre (HSFO) subiram de 7.000 para 18.000 toneladas, enquanto os volumes de gasóleo marítimo passaram de 855 para 2.100 toneladas.
Apesar da leve melhora estatística, a situação permanece crítica. A precariedade da segurança na região e os elevados prêmios de seguro contra riscos de guerra continuam forçando compradores habituais a desviar suas rotas de abastecimento para portos na Índia, Sri Lanka e na costa africana. Além disso, a disponibilidade de combustível está severamente restrita devido à queda nas importações e à suspensão da produção local, levando muitos fornecedores a dependerem apenas dos estoques remanescentes em tanques e barcaças. O cenário de cautela foi novamente agravado por um recente ataque de drones às instalações de armazenamento e carregamento do porto. Com as novas tensões, a atividade despencou no início de maio: dados da Argus mostram apenas duas negociações, somando cerca de 2.000 toneladas, nos três primeiros dias de operação do mês, com traders locais descrevendo a atual dinâmica de oferta e demanda como "morta e seca".
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