Irã avalia nova proposta dos EUA para encerrar guerra no Golfo; preços do petróleo despencam

Memorando preliminar prevê fim formal do conflito e prazo de 30 dias para debater sanções, bloqueio de Ormuz e programa nuclear

Publicado em 6 de maio de 2026 às 16:32
Pedro

O Irã confirmou nesta quarta-feira que está revisando uma nova proposta dos Estados Unidos. Segundo fontes próximas às negociações, Washington e Teerã estão próximos de fechar um memorando de uma página, contendo 14 pontos, para encerrar formalmente a guerra no Golfo. Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano informou que a resposta será enviada em breve por meio do Paquistão, país que tem atuado como principal mediador e canal de comunicação entre as partes. O otimismo em torno de um possível acordo teve impacto imediato no mercado: os preços globais do petróleo despencaram, com os contratos futuros do Brent caindo cerca de 11%, passando a ser cotados a aproximadamente US$ 98 o barril.


O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em suas redes sociais que a guerra — apelidada de operação "Epic Fury" — chegará ao fim se o Irã aceitar os termos propostos, o que permitiria a reabertura total do Estreito de Ormuz. No entanto, ele fez um alerta contundente: caso a proposta seja rejeitada, os bombardeios americanos serão retomados em um nível de intensidade "muito maior". Se o acordo preliminar for aceito, será iniciado um prazo de 30 dias para negociações detalhadas sobre questões complexas, como o levantamento de sanções americanas, o desbloqueio mútuo do tráfego marítimo e a imposição de restrições ao enriquecimento de urânio pelo Irã. Exigências antigas e espinhosas de Washington, como o fim do apoio iraniano a milícias regionais e a entrega do atual estoque de urânio enriquecido, não foram mencionadas no documento vazado.


Apesar dos avanços liderados pelo enviado americano Steve Witkoff e por Jared Kushner, o cenário ainda enfrenta resistências. O parlamentar iraniano Ebrahim Rezaei classificou o texto como uma "lista de desejos americana", enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enfatizou a busca por um acordo "justo e abrangente". De forma paralela, Israel, principal aliado militar de Washington na região, afirmou desconhecer a iminência de um acordo e declarou que segue se preparando para uma escalada nos combates. O movimento diplomático ocorre logo após Trump anunciar a pausa temporária do "Project Freedom", missão de escolta naval americana em Ormuz, que enfrentou forte ofensiva iraniana, incluindo um ataque recente contra um navio francês nesta semana que deixou tripulantes feridos.

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