Paquistão oferece acesso a seus portos marítimos para o trânsito de cargas do Cazaquistão
Proposta visa diversificar rotas de escoamento da Ásia Central em meio ao aumento dos riscos de navegação no Mar Negro e à busca por novos mercados na Ásia do Sul, Oriente Médio e África.
O Paquistão ofereceu oficialmente ao Cazaquistão o acesso aos seus portos marítimos de Karachi, Port Qasim e Gwadar para o trânsito de cargas. O anúncio foi feito pelo ministro federal de Assuntos Marítimos do Paquistão, Muhammad Junaid Anwar Chaudhry. Até o momento, a parte paquistanesa não divulgou rotas específicas, prazos de implementação ou estimativas de volume de embarque. Atualmente, os dois países já trabalham no desenvolvimento de múltiplos corredores de transporte, envolvendo trajetos via Uzbequistão, Turcomenistão e Afeganistão, pelo Irã, além do trecho por Quirguistão e China. Adicionalmente, o Cazaquistão firmou recentemente um acordo com o Irã para a construção de um centro logístico no porto de Shahid Rajaee, em Bandar Abbas.
A iniciativa paquistanesa ocorre em um momento de crescentes riscos logísticos na região do Mar Negro, impulsionados por ataques a infraestruturas portuárias russas. Embora não haja uma ligação direta confirmada entre os eventos, a emergência dessas propostas reflete um esforço regional mais amplo para diversificar corredores operacionais e reduzir a dependência de rotas individuais.
O projeto assume especial relevância para o setor agrícola do Cazaquistão. Embora a maior parte de suas exportações de grãos seja tradicionalmente direcionada à Ásia Central, China e rota do Cáspio, os embarques para mercados mais distantes dependem dos portos russos nos mares Negro e Báltico. No ciclo de 2025, a rota do Báltico superou a do Mar Negro em volume de transbordo de grãos cazaques, mas ambos os corredores permanecem estratégicos para o atendimento à Europa e ao Norte da África.
Caso as restrições e os custos de seguro no Mar Negro se prolonguem, provocando um redirecionamento da oferta exportável russa para a região báltica, o acirramento pela capacidade portuária disponível pode impactar os exportadores do Cazaquistão. Diante desse cenário, a abertura das rotas via portos paquistaneses surge como uma alternativa para mitigar gargalos logísticos e expandir o acesso comercial aos mercados da Ásia do Sul, Oriente Médio e continente africano.
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