Turquia propõe novo mecanismo internacional para proteger transporte de grãos e fertilizantes no Mar Negro
Iniciativa prevê proteção a infraestruturas portuárias, sistema de navegação segura e fundo de seguro contra riscos de guerra para navios civis.
O Grupo de Diplomacia Agrícola da Turquia apresentou uma proposta para estabelecer um novo mecanismo internacional voltado à segurança do comércio agrícola e da navegação civil no Mar Negro. O projeto prevê a articulação entre o governo turco, a Organização das Nações Unidas (ONU), nações da bacia regional, instituições financeiras internacionais e agentes privados dos setores de grãos, transporte marítimo e seguros.
A estrutura proposta é composta por sete eixos operacionais fundamentais. Entre os pontos centrais, destacam-se um acordo restrito de não ataque direcionado à infraestrutura de armazenamento e embarque de grãos, um corredor de navegação protegida para cargueiros civis com produtos agrícolas, um centro de coordenação sediado em território turco e a criação de um registro verificável de navios dedicados ao transporte de alimentos e insumos agropecuários.
O plano também contempla a constituição de um mecanismo financeiro de garantia e seguro contra riscos de guerra para frotas que transportam grãos, oleaginosas, óleos vegetais e fertilizantes. A modelagem financeira seria estruturada conjuntamente pela Turquia, bancos multilaterais de desenvolvimento e companhias globais de seguros e resseguros, mitigando o encarecimento das apólices e fretes na região.
Além das rotas marítimas principais, o documento recomenda a ampliação da capacidade logística de corredores alternativos, englobando terminais no Rio Danúbio e malhas ferroviárias e rodoviárias interligadas à Romênia e à Bulgária. No entanto, o grupo ressalta que essas opções secundárias não substituem a escala e a profundidade dos portos de águas profundas do Mar Negro.
A proposta busca aproveitar a experiência obtida com o Acordo de Grãos do Mar Negro firmado em 2022, ajustando as diretrizes ao atual cenário comercial e de segurança na região. A implementação do mecanismo segue como proposta técnica e dependerá de rodadas formais de negociação diplomática entre as partes interessadas.
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