Área semeada com soja na Argentina deve crescer 1,2% na safra 2026/27 e atingir 17 milhões de hectares

Avanço da cigarrinha no milho impulsiona migração para a oleaginosa no norte do país, compensando perdas de espaço para girassol e milho precoce no centro-sul.

Publicado em 13 de setembro de 2026 às 02:15
Atualizado em 13 de setembro de 2026 às 02:21
Pedro

A área semeada com soja na Argentina deve alcançar 17 milhões de hectares na safra 2026/27, representando uma expansão de 1,2% na comparação com os 16,8 milhões de hectares cultivados no ciclo anterior, segundo estimativas divulgadas pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Caso a projeção se confirme, a superfície destinada à cultura retornará à média histórica dos últimos cinco anos.


O crescimento mais expressivo está concentrado nas regiões agrícolas do norte argentino, onde a proliferação da cigarrinha-do-milho desestimulou o plantio do cereal entre os produtores locais. Diante desse cenário fitossanitário desfavorável para o milho, a soja passou a oferecer margens financeiras relativamente mais atrativas na região, motivando a conversão de áreas produtivas para a oleaginosa.


A decisão dos produtores rurais também encontra sustentação na redução das tarifas de exportação (retenciones) e na valorização das cotações internacionais da soja. Por outro lado, a escalada contínua dos custos operacionais, sobretudo dos combustíveis, segue pressionando as margens das propriedades rurais situadas a maiores distâncias dos polos portuários e de escoamento.


Nas regiões centro e sul da Argentina, o espaço ocupado pela soja poderá apresentar retração, uma vez que o milho precoce e o cultivo de girassol continuam disputando área de maneira competitiva. Entretanto, o avanço projetado nas lavouras do norte do país deve mais do que compensar eventuais baixas no restante do território.


A semeadura da soja no país tem início programado para outubro. Após uma colheita consolidada de 50,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, o potencial produtivo da nova temporada dependerá fundamentalmente do comportamento climático. Embora a umidade do solo esteja atualmente em níveis satisfatórios, volumes excessivos de precipitação associados à formação de um evento El Niño podem atrasar os trabalhos de campo e elevar o risco de incidência de doenças fúngicas nas lavouras.

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