EUA e Irã avançam em memorando de 14 pontos para encerrar guerra no Golfo

Acordo preliminar prevê liberação de bilhões em ativos, fim do bloqueio em Ormuz e duras restrições ao programa nuclear iraniano

Publicado em 6 de maio de 2026 às 17:19
Pedro

Os Estados Unidos e o Irã estão mais próximos de um acordo do que em qualquer momento desde o início do conflito armado em fevereiro. Segundo o portal Axios, as partes negociam um memorando de entendimento de uma página e 14 pontos que declararia o fim das hostilidades. O documento propõe um cessar-fogo imediato e a abertura de uma janela de 30 dias para negociações nucleares e técnicas detalhadas, que ocorreriam em Genebra ou Islamabad. A Casa Branca aguarda uma resposta oficial de Teerã dentro das próximas 48 horas.


O acordo, negociado de forma direta e por mediadores pelo enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e por Jared Kushner, estabelece a suspensão gradual do bloqueio naval americano e das restrições iranianas no Estreito de Ormuz. Washington se comprometeria a levantar sanções e liberar cerca de US$ 20 bilhões em ativos iranianos congelados. Em contrapartida, o Irã implementaria uma moratória no enriquecimento de urânio, assumiria o compromisso de nunca buscar armas nucleares, aceitaria inspeções rigorosas e sem aviso prévio da ONU e removeria seu estoque de urânio altamente enriquecido do país, material que possivelmente seria transferido para os EUA.


Apesar do avanço, a duração da moratória de enriquecimento segue como o principal ponto de discordância. Enquanto os americanos inicialmente exigiam um prazo de 20 anos e os iranianos propunham cinco, fontes indicam que o período deve ser fixado entre 12 e 15 anos. Após esse prazo, Teerã estaria autorizada a enriquecer urânio até 3,67%. Washington também busca incluir a proibição de operação de instalações nucleares subterrâneas no país persa e uma cláusula que prorrogaria automaticamente a moratória caso o Irã descumpra os termos estabelecidos.


A possível resolução surge após uma escalada que levou a ataques militares após a expiração de um prazo inicial dado pelo presidente Donald Trump. Na terça-feira, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a conclusão da "Operação Epic Fury" (a campanha militar americana iniciada no fim de fevereiro), abrindo espaço para a diplomacia. Como gesto de boa vontade, Trump também suspendeu a escolta de navios comerciais em Ormuz. Contudo, o cenário permanece frágil: a liderança iraniana segue dividida e autoridades americanas mantêm ceticismo sobre a sustentabilidade a longo prazo de um cenário de negociação de "tudo ou nada".

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.