Ataques a refinarias na Rússia derrubam exportações de derivados, mas elevam embarques de petróleo cru

Crise de combustíveis no mercado doméstico força realocação logística; exportações marítimas de petróleo bruto crescem 9% em junho, puxadas por forte avanço para Singapura e Egito

Publicado em 3 de julho de 2026 às 17:25
Pedro

Os contínuos ataques à infraestrutura de refino russa e a consequente escassez de combustíveis no mercado doméstico frearam as exportações de derivados de petróleo da Rússia em junho. Como resultado, um volume maior de petróleo cru ficou disponível para entregas internacionais. De acordo com dados divulgados em 2 de julho, as exportações marítimas de petróleo bruto do país atingiram 4,414 milhões de barris por dia (b/d) em junho, um aumento de 9% na comparação mensal e de 28% em relação ao mesmo período do ano passado.


Os fluxos comerciais revelam mudanças significativas nas rotas de escoamento logístico. Dados preliminares indicam que a Rússia exportou 939,3 mil b/d para a Índia em junho (uma queda de 59% no mês e de 42% no ano), embora o número ainda possa ser revisado para cima. Em contrapartida, os embarques para o Egito — um importante polo de transbordo para o petróleo russo antes de seguir para a Ásia — mais que dobraram, atingindo 458 mil b/d ante os 190 mil b/d registrados em maio. A China recebeu 965,6 mil b/d (+12% no mês), enquanto Singapura registrou um salto vertiginoso, absorvendo 796,8 mil b/d, o que representa um aumento mensal de 581%.


No âmbito diplomático e de sanções, a isenção do Tesouro dos EUA para o petróleo em trânsito marítimo expirou em 17 de junho. Contudo, autoridades indianas já haviam sinalizado que o fim da licença teria impacto limitado nas decisões de compra de suas refinarias. Com o aumento da oferta, o petróleo russo do tipo Urals vem perdendo valor frente às referências internacionais: a Platts avaliou o desconto do Urals em relação ao Dated Brent em uma média de US$ 25,17/barril em junho (ante US$ 21/b em maio), alcançando um deságio de US$ 27,93/barril no dia 1º de julho.


Derivados e o agravamento da crise doméstica

Do lado dos produtos refinados, as exportações marítimas russas recuaram para uma média de 1,611 milhão de b/d em junho, uma queda de 15% no mês e de 31% no comparativo anual. O Egito absorveu 389,3 mil b/d desses embarques (+25% no mês), enquanto a Turquia, outro comprador fundamental, importou 311,1 mil b/d (-19% no mês).

As interrupções nas unidades de refino causadas por ataques de drones ucranianos, somadas à alta demanda sazonal por gasolina e diesel, estão agravando rapidamente uma crise de combustíveis dentro da Rússia. Autoridades regionais já introduziram limites para o abastecimento de veículos, e fontes do mercado relatam escassez do produto.


Para conter os danos, o presidente Vladimir Putin presidiu uma reunião no final de junho para debater medidas emergenciais, ordenando que as principais refinarias do país operem em capacidade máxima e que instalações de pequeno e médio porte sejam mobilizadas. Putin admitiu que os ataques à infraestrutura de energia estão criando problemas evidentes e orientou que as manutenções programadas sejam adiadas para acelerar os reparos necessários, sugerindo até mesmo que importações emergenciais sejam estruturadas. Diante da pressão interna, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, afirmou que o governo segue avaliando a situação e ainda não tomou uma decisão final sobre a imposição de um possível banimento nas exportações de diesel.

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