Trump ameaça com bloqueio por tempo indeterminado e reivindica controle territorial sobre o Estreito de Ormuz
Casa Branca intensifica pressão econômica sobre o Irã e prevê novas sanções, enquanto Teerã declara fechamento da rota marítima e mantém ataques a navios comerciais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu a retórica contra o Irã ao ameaçar a manutenção de um bloqueio naval por tempo indeterminado e ventilar a declaração do Estreito de Ormuz como "território dos Estados Unidos". O posicionamento ocorre um mês após a retomada do bloqueio marítimo norte-americano, desencadeada pelo colapso do recente acordo de cessar-fogo com Teerã. Em evento realizado em Nova York nesta sexta-feira, Trump afirmou que, após derrotar o regime iraniano, planeja formalizar o controle sobre a hidrovia estratégica, além de destacar a preparação de um novo pacote de sanções econômicas previsto para a próxima semana. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reforçou a diretriz de longo prazo, declarando que as forças norte-americanas têm capacidade de sustentar o bloqueio de forma indeterminada.
Em contrapartida, o Irã também reivindica o domínio operacional da rota de navegação. O comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, Ali Azami, declarou que o Estreito de Ormuz permanece fechado sob "controle completo e decisivo" das forças iranianas, que continuam utilizando ataques pontuais de mísseis e drones para restringir a passagem de embarcações comerciais, como evidenciado nos recentes ataques a dois navios ligados à petroleira Adnoc dos Emirados Árabes Unidos. Analistas apontam que a interrupção completa dessas hostilidades é improvável sem uma escalada militar de grandes proporções ou um novo pacto diplomático, consolidando o cenário de um conflito arrastado com impactos diretos no custo de vida e nos preços dos combustíveis nos EUA — que operam na média de US$ 4 por galão.
No balanço de escoamento energético da região, as autoridades norte-americanas sustentam que o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico é superior ao indicado pelos dados convencionais de rastreamento marítimo. Segundo o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, as rotas por oleodutos estão movimentando cerca de 6 milhões de barris/dia (b/d), enquanto os petroleiros transportam entre 8 e 9 milhões de b/d pelo Estreito de Ormuz. Com isso, o escoamento total da região soma entre 14 e 15 milhões de b/d, frente aos 20 milhões de b/d observados antes do conflito, resultando em um déficit diário de 4 a 5 milhões de b/d na oferta global.
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