Crise energética em Bangladesh e colapso no GNL ameaçam indústrias e produção de fertilizantes

Interrupção de entregas do Catar provocada por conflito no Golfo coincide com avarias em terminais de Moheshkhali, derrubando o fornecimento para 37% da capacidade instalada.

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 21:53
Atualizado em 16 de agosto de 2026 às 10:17
Pedro

O mercado de gás natural de Bangladesh enfrenta um severo choque composto de oferta, combinando o colapso nas entregas de GNL (Gás Natural Liquefeito) contratadas junto ao Catar — reflexo direto das hostilidades e bloqueios no Golfo Pérsico — com incidentes técnicos e climáticos que paralisaram grande parte da infraestrutura de importação do país. De acordo com a divisão de produção e comercialização da estatal Petrobangla, o fornecimento somado dos dois terminais flutuantes de regaseificação (FSRU) de Moheshkhali caiu para cerca de 410 milhões de pés cúbicos por dia (mmcfd) na manhã de 12 de agosto. O volume representa apenas 37% da capacidade nominal conjunta de 1.100 mmcfd (600 mmcfd da unidade operada pela Excelerate Energy e 500 mmcfd do terminal da Summit LNG), gerando um déficit operacional de 63%.


A restrição na regaseificação decorre de dois fatores simultâneos. A unidade FSRU da Excelerate Energy segue operando com capacidade reduzida desde 21 de julho, após um incêndio danificar severamente o cabeamento elétrico, de instrumentação e de controle de suas caldeiras. Embora as caldeiras não tenham sofrido danos estruturais diretos, a indisponibilidade de cabos de reposição no mercado doméstico exigiu a importação de componentes e o envio de equipes técnicas do Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Cingapura. O terminal retomou operações parciais em 6 de agosto, mas uma de suas duas caldeiras ainda permanece sob manutenção. Paralelamente, condições meteorológicas adversas impediram a atracação e descarga de um navio metaneiro no terminal da Summit LNG.


O estrangulamento da infraestrutura aprofunda o desequilíbrio na matriz energética e industrial bengalesa. No pico da interrupção, no final de julho, o suprimento total de gás do país despencou para aproximadamente 2.150 mmcfd, volume muito aquém da demanda oficial estimada em 3.854 mmcfd e abaixo da média de 2.700 mmcfd mantida no ano anterior. A escassez aguda de gás pressiona a geração termelétrica e ameaça a operação contínua de plantas industriais de base, incluindo complexos petroquímicos e fábricas locais de fertilizantes.

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