Receita da indústria de máquinas agrícolas tomba 22,4% no ano e soma R$ 36,30 bilhões pressionada pelo crédito caro
Vendas domésticas lideram retração no setor de bens de capital, enquanto colheitadeiras amargam tombo de 60,5% e exportações amortecem perdas.
Segund a Abimaq, a indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas acumulou uma retração de 22,4% em sua receita líquida total entre janeiro e agosto de 2026 frente a igual intervalo do ano anterior, totalizando R$ 36,30 bilhões (cerca de US$ 7,03 bilhões). O recuo do faturamento foi determinado pelo enfraquecimento do mercado doméstico, onde a receita encolheu 25,7% no período, alcançando R$ 30,37 bilhões (US$ 5,88 bilhões). No balanço exclusivo de agosto, o faturamento total do segmento agrícola somou R$ 4,79 bilhões (US$ 928 milhões) — recuo de 1,7% ante julho e de 22,8% em base anual —, com as vendas internas gerando R$ 4,10 bilhões (US$ 794 milhões), queda mensal de 1,1% e tombo de 24,9% frente a agosto de 2025. O desempenho coloca a atividade agrícola entre os piores resultados do parque industrial brasileiro de bens de capital, em um ambiente no qual os juros elevados encareceram o financiamento e o serviço da dívida dos produtores rurais, represando a renovação de frota.
A retração no maquinário agrícola foi sensivelmente mais aguda do que a média de toda a indústria de máquinas e equipamentos, cuja receita líquida consolidada caiu 13,2% no acumulado de 2026, com retração de 15,5% nas vendas internas e recuo de 11,6% no consumo aparente nacional. Para equilibrar parcialmente a contração doméstica, as exportações de máquinas agrícolas somaram US$ 1,15 bilhão (R$ 5,93 bilhões) de janeiro a agosto, alta de 12,7% na comparação anual, embora agosto tenha registrado ligeira desaceleração mensal e anual para US$ 133,44 milhões (R$ 689 milhões). Na outra ponta do comércio exterior, as importações agrícolas totalizaram US$ 810,89 milhões (R$ 4,18 bilhões) no ano (baixa de 4,0%), tendo alcançado US$ 90,25 milhões (R$ 466 milhões) em agosto. No cômputo geral da indústria de máquinas, os importados ganharam espaço e abocanharam 47,6% do consumo aparente nacional, puxados pela China, que abrangeu 36% das compras externas brasileiras com US$ 8 bilhões (R$ 41,3 bilhões) e expansão de 18,8% em remessas para a agricultura, logística e construção.
O desaquecimento no campo refletiu-se fortemente nos volumes físicos de comercialização de tratores e colheitadeiras no país. No segmento de tratores, as vendas de fábrica registraram retração de 22% de janeiro a agosto, as entregas aos clientes finais caíram 15% e os embarques internacionais avançaram 30%. Em agosto, as entregas ao usuário final somaram 3.324 tratores (alta mensal de 19,1%, mas tombo anual de 25,5%), enquanto as fábricas venderam 3.440 unidades (queda de 2,6% ante julho e de 34,1% frente a agosto de 2025), destinando 488 unidades à exportação. O recuo mais severo ocorreu no segmento de colheitadeiras, no qual as vendas de fábrica despencaram 60,5% e as entregas ao cliente final cederam 39,6% no acumulado do ano, com as exportações avançando 14,9%. No comparativo mensal de agosto, as entregas de colheitadeiras ao usuário final encolheram para 112 máquinas, contra 197 no mesmo mês de 2025, enquanto o faturamento das fábricas registrou apenas 141 unidades negociadas no período, ante 214 observadas um ano antes.
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