Produtores norte-americanos reduzem compras de maquinário agrícola diante de margens apertadas e impacto de tarifas
Vendas de tratores e colheitadeiras caem até 40% nos EUA; setor aponta guerra comercial e altos custos como principais entraves
Os produtores rurais na América do Norte estão adotando uma postura conservadora em relação à aquisição de novos equipamentos para a aproximação da safra de primavera. Diante dos altos custos de maquinário, fertilizantes e combustíveis, somados aos baixos preços dos grãos resultantes do excesso de oferta global, os agricultores têm evitado a compra de itens de alto valor. Dados da Associação de Fabricantes de Equipamentos (AEM) indicam que as vendas de maquinário pesado, como tratores e colheitadeiras, recuaram entre 30% e 40% nos Estados Unidos em março, na comparação com o mesmo período do ano passado.
O cenário de margens estranguladas é agravado pelas políticas tarifárias do governo de Donald Trump. As tarifas de 50% sobre aço e alumínio já encareceram significativamente a produção do chamado "ferro pesado". Além disso, há a previsão de aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre o valor de produtos acabados importados que contêm esses metais. Como reflexo dessa conjuntura, a gigante do setor John Deere estima que os custos tarifários impactarão a empresa em cerca de US$ 1,2 bilhão em 2026, com a ressalva de que nem todos os custos referentes a 2025 já foram integralmente repassados aos produtores.
O comportamento de compra no campo mudou visivelmente, com uma transição de "desejos" para "necessidades". Agricultores estão optando por implementos mais baratos, na faixa de US$ 100 mil, em vez de investir US$ 1 milhão em novas colheitadeiras, além de prolongarem a vida útil de equipamentos antigos. A economia agrícola local também sente os efeitos secundários da guerra comercial, como a ausência da China no mercado de soja dos EUA, o que deprime os preços e eleva os estoques internos. Enquanto o presidente americano pediu que as fabricantes reduzam os preços, a AEM defende que a via mais eficaz para proporcionar alívio financeiro aos produtores e às empresas é o corte significativo das tarifas aplicadas aos fabricantes e das tarifas retaliatórias que afetam o agronegócio.
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