Prejuízo líquido da Adama se aprofunda para US$ 115 milhões no 3º trimestre pressionado por preços baixos e liquidez restrita no Brasil
Receita global recuou 4%, para US$ 897 milhões, impactada por concorrência de genéricos chineses e compras cautelosas de produtores
A fabricante de defensivos agrícolas Adama registrou prejuízo líquido de US$ 115 milhões (cerca de R$ 613 milhões) no terceiro trimestre de 2026, ampliando as perdas de US$ 48 milhões reportadas em igual período de 2025. A receita global recuou 4% no comparativo anual, somando US$ 897 milhões (aproximadamente R$ 4,78 bilhões), reflexo de uma contração de 4% nos volumes comercializados e de uma redução de 2% nos preços médios praticados. O desempenho reflete o avanço mais lento do que o previsto na demanda global de defensivos nos primeiros nove meses do ano, com os agricultores postergando aquisições para a véspera da aplicação em razão dos custos elevados de produção e da rentabilidade comprimida, além da forte pressão sobre as cotações decorrente do excesso estrutural de capacidade de síntese de ingredientes ativos na China.
No resultado operacional, o prejuízo líquido ajustado passou de US$ 20 milhões para US$ 74 milhões, enquanto o lucro bruto ajustado caiu 11%, totalizando US$ 228 milhões (margem bruta de 25,4%, ante 27,6% no 3T25). O EBITDA ajustado recuou 22%, fechando em US$ 93 milhões, com margem de 10,4%. O agravamento do resultado líquido foi acentuado pelo aumento das despesas ajustadas com imposto de renda, que saltaram de US$ 8 milhões para US$ 48 milhões, influenciadas pela revisão do ativo fiscal diferido no Brasil com base nas projeções de lucro tributável, compensando o alívio nas despesas financeiras líquidas ajustadas, que cederam de US$ 68 milhões para US$ 57 milhões. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a receita alcançou US$ 2,997 bilhões (-1%), o EBITDA ajustado somou US$ 395 milhões (-8%) e o endividamento total encerrou o trimestre em US$ 1,958 bilhão, respaldado por US$ 577 milhões em linhas de crédito disponíveis.
Na América Latina, principal polo de atuação da Adama, as vendas trimestrais recuaram 8% em dólares e 12% em moeda constante, somando US$ 286 milhões (com queda acumulada de 5% no ano, para US$ 639 milhões). O recuo regional foi determinado pelo mercado brasileiro, onde o esforço comercial pré-safra de soja não impediu a queda nas receitas de fungicidas e inseticidas, pressionadas pelo aperto de liquidez dos produtores rurais, pela disputa agressiva de preços e pela concorrência acirrada no segmento de produtos sem patente — quadro parcialmente atenuado pela expansão de volumes na Argentina. Nas demais regiões, a divisão EMEA (Europa, África e Oriente Médio) teve retração de 13% (US$ 203 milhões), castigada por estiagens e calor extremo no continente europeu. Em contrapartida, a América do Norte cresceu 6% (US$ 174 milhões) e a Ásia-Pacífico avançou 4% (US$ 235 milhões), amparada pela alta de 9% nas vendas na China, que atingiram US$ 99 milhões.
Para mitigar a comoditização do setor e recuperar margens, a companhia direcionou sua estratégia ao lançamento de formulações diferenciadas, somando 70 novos registros e 31 lançamentos comerciais nos primeiros nove meses do ano. No mercado brasileiro, a empresa destacou a aprovação do fungicida Sparta, formulado com três ingredientes ativos para ampliar o controle da ferrugem-asiática e de outras doenças da soja, enquanto na Argentina obteve o registro do herbicida Paramer SC (à base de piroxasulfona concentrada). No plano corporativo, a Adama comunicou que o atual presidente e CEO, Gaël Hili, deixará o comando executivo em novembro de 2026 para assumir a presidência do conselho de administração, transmitindo a liderança executiva ao Dr. Zhigang Hao para dar continuidade aos planos de reorganização industrial e corte de custos.
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