FMC registra prejuízo líquido de US$ 2,07 bilhões no 3º trimestre com ajustes comerciais e baixas contábeis nas Américas
Receita reportada despencou 80%, para US$ 106 milhões, impactada por pacote de reestruturação de preços e estoques nos canais de distribuição de US$ 639 milhões; companhia reduz projeções para 2026 e traça plano de desalavancagem de US$ 1 bilhão.
A fabricante norte-americana de defensivos agrícolas FMC Corporation registrou prejuízo líquido de US$ 2,07 bilhões (cerca de R$ 11,03 bilhões) no terceiro trimestre de 2026, aprofundando expressivamente as perdas de US$ 569 milhões reportadas em igual período de 2025. O resultado divulgado nesta quinta-feira (29/10) decorreu de ajustes contábeis sem efeito caixa — relacionados a baixas em ativos fiscais diferidos e ativos intangíveis —, somados aos impactos financeiros imediatos de uma ampla reestruturação comercial voltada às revendas. A receita reportada despencou 80% na comparação anual, caindo de US$ 542 milhões para US$ 106 milhões (aproximadamente R$ 565 milhões), após as medidas comerciais provocarem um desconto contábil negativo de US$ 639 milhões no faturamento e de US$ 672 milhões no EBITDA ajustado, que encerrou o trimestre no terreno negativo em US$ 559 milhões (ante lucro de US$ 236 milhões no 3T25). O prejuízo por ação somou US$ 15,54, ou perda ajustada de US$ 4,41 por ação.
Desconsiderando as medidas comerciais extraordinárias e excluindo as operações na Índia, a receita líquida operacional somou US$ 745 milhões (cerca de R$ 3,97 bilhões) entre julho e setembro, retração anual de 22%. A redução refletiu uma queda de 21% nos volumes físicos faturados e um recuo de 2% nos preços médios praticados, amortecidos por um ganho cambial de 1%, com o EBITDA ajustado nessa base atingindo US$ 113 milhões. O choque nas contas decorre do plano de repactuação comercial implementado em 15 de outubro: a FMC destinou cerca de US$ 500 milhões (em impacto no EBITDA) para reformular o sistema de descontos na América do Norte, aproximando os preços brutos dos líquidos para reduzir volatilidades, e outros US$ 175 milhões em ajustes diretos de valor sobre defensivos estocados na rede de distribuição de Brasil, Argentina, Estados Unidos e Canadá. A ação visa realinhar os custos das revendas com os preços correntes deprimidos do mercado e reativar os pedidos de compra, devendo levar até três trimestres para ser totalmente absorvida nos recebimentos futuros da companhia.
No recorte geográfico das operações correntes (antes das provisões comerciais), a América Latina apurou faturamento de US$ 368 milhões no terceiro trimestre, queda de 21% em dólares e de 23% em moeda constante frente ao terceiro trimestre de 2025. O desempenho foi castigado pelo mercado brasileiro, que apresentou demanda abaixo das projeções em virtude da cautela dos produtores diante das incertezas ligadas ao fenômeno climático El Niño e da forte erosão de preços dos defensivos de marca — cenário apenas atenuado pelo crescimento nas vendas das novas formulações baseadas no inseticida Rynaxypyr. Na América do Norte, as receitas antes dos ajustes cederam 33%, para US$ 164 milhões, com os distribuidores mantendo estoques mínimos ao término da colheita; na região da Europa, Oriente Médio e África, as vendas recuaram 22% (US$ 121 milhões), afetadas pelo cancelamento programado de registros químicos; e na Ásia (sem Índia), o faturamento somou US$ 91 milhões (-8%), sustentado pela introdução da molécula Isoflex no mercado australiano.
Diante do ambiente restritivo, a FMC revisou suas estimativas para o consolidado de 2026. A companhia estima agora uma receita anual (excluindo a Índia) de US$ 2,75 bilhões a US$ 2,85 bilhões — contração de 28% no ponto médio —, EBITDA ajustado negativo entre US$ 104 milhões e US$ 124 milhões e consumo de caixa livre entre US$ 150 milhões e US$ 350 milhões, absorvendo despesas de reestruturação de US$ 180 milhões. Para o quarto trimestre, a projeção aponta receita de US$ 1,04 bilhão a US$ 1,14 bilhão e EBITDA ajustado de US$ 210 milhões a US$ 230 milhões (-22%), confiando em volumes adicionais provenientes de vendas diretas a produtores rurais no Brasil e novos ingredientes ativos para compensar a retração projetada de preços. No médio prazo, a empresa trabalha com a meta de gerar cerca de US$ 1 bilhão em liquidez para desalavancagem da dívida por meio do desinvestimento do negócio comercial indiano, licenciamento de moléculas, operações de sale-leaseback imobiliário e aporte do grupo Tessenderlo, prevendo recuperação do EBITDA ajustado para uma faixa entre US$ 650 milhões e US$ 730 milhões em 2027 e de US$ 760 milhões a US$ 840 milhões em 2028.
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