Dona da Massey Ferguson, Valtra e Fendt, AGCO tem queda de 8,6% na receita no 3º trimestre com retração global em máquinas agrícolas

Faturamento da fabricante somou US$ 2,26 bilhões entre julho e setembro; na América Latina, receita caiu 15,4%, refletindo tombos de 17% nas vendas de tratores e de 38% nas de colheitadeiras no Brasil no acumulado do ano.

Publicado em 29 de outubro de 2026 às 16:14
Pedro

A AGCO — grupo norte-americano detentor das marcas de máquinas agrícolas Massey Ferguson, Valtra e Fendt — registrou receita líquida de US$ 2,26 bilhões (cerca de R$ 12,05 bilhões) no terceiro trimestre de 2026, retração de 8,6% na comparação com o mesmo período de 2025. Divulgado nesta quinta-feira (29/10), o balanço apontou recuo no lucro líquido por ação de US$ 4,09 para US$ 0,75 — base comparativa distorcida pelo ganho extraordinário de US$ 2,93 por ação obtido no terceiro trimestre de 2025 com a venda da participação na indiana TAFE —, enquanto o lucro ajustado por ação cedeu de US$ 1,35 para US$ 1,05. O lucro operacional recuou 23,4%, fechando em US$ 116,1 milhões (margem de 5,1%, ante 6,1% um ano antes), e o resultado operacional ajustado caiu 25,9%, para US$ 137 milhões. No acumulado de janeiro a setembro, a receita somou US$ 7,22 bilhões (+0,7% nominal, mas queda de 2,7% sem o efeito cambial) e o lucro ajustado por ação passou de US$ 3,11 para US$ 3,42.


De acordo com o presidente do conselho e CEO da AGCO, Eric Hansotia, a indústria mundial de equipamentos agrícolas atravessa seu ambiente de demanda mais fraco em mais de uma década, pressionada por custos de produção elevados, compressão na rentabilidade dos produtores rurais e incertezas nos mercados de commodities e no comércio global. Para se adequar à retração nas encomendas, a companhia reduziu em 19% as horas de produção nas fábricas durante o terceiro trimestre na comparação anual — projetando um corte de cerca de 5% no volume produzido em todo o ano de 2026 — e intensificou o controle sobre os estoques das redes de concessionárias.


Na América Latina — que desde janeiro de 2026 passou a incorporar os resultados do México —, a receita da fabricante recuou 15,4% no terceiro trimestre, para US$ 292,3 milhões (-19,1% em moeda constante), com o lucro operacional ficando US$ 13 milhões abaixo do registrado um ano antes; nos nove primeiros meses do ano, o faturamento regional somou US$ 775,3 milhões (-16,8%). O desempenho foi puxado pela forte desaceleração no Brasil, onde as vendas totais do setor ao consumidor final encolheram 17% em tratores e 38% em colheitadeiras entre janeiro e setembro, reflexo dos juros elevados, da restrição de crédito, das incertezas político-econômicas e da menor margem do produtor, que inibiram especialmente a compra de máquinas de grande porte. Na Europa e Oriente Médio, principal mercado da companhia, a receita também caiu 19,1% no trimestre, para US$ 1,31 bilhão, concentrada em retrações na Alemanha, França, Itália e Espanha.


Em sentido oposto, a receita da AGCO na América do Norte avançou 34,8% no terceiro trimestre, alcançando US$ 485,3 milhões, impulsionada pela venda de tratores de média e alta potência e peças de reposição, mesmo diante de um mercado setorial norte-americano em queda de 9% em tratores e 10% em colheitadeiras no ano. A operação norte-americana reverteu o prejuízo operacional de US$ 42 milhões do terceiro trimestre de 2025 para um lucro de US$ 13,8 milhões em 2026, amparada por cerca de US$ 13 milhões em restituições de tarifas de importação após decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a lei IEEPA (valores ainda sujeitos a recursos judiciais e revisão alfandegária). Já a região de Ásia, Pacífico e África cresceu 13,8%, faturando US$ 178,8 milhões com o suporte das vendas na Austrália.


Para o consolidado de 2026, a dona da Massey Ferguson, Valtra e Fendt projeta receita líquida entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões, margem operacional ajustada próxima de 7% e lucro ajustado ao redor de US$ 5,50 por ação. Diante da postergação na troca de frotas novas, a estratégia da companhia prioriza a expansão das soluções tecnológicas da divisão PTx, incluindo sistemas de pulverização localizada com inteligência artificial e pacotes de automação e agricultura de precisão voltados à atualização (retrofit) de máquinas já em operação no campo, inclusive de marcas concorrentes.

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