Produtores europeus reduzem compras de fertilizantes diante de disparada de custos e gargalos logísticos
Demanda por nitrogenados na União Europeia recua 20% abaixo da média sazonal e fosfatados caem ao menos 30%; importações acumuladas no ano despencam 25%, com retração severa na Alemanha, Polônia e França.
Produtores agrícolas da União Europeia estão reduzindo expressivamente o ritmo de aquisição de fertilizantes em decorrência dos elevados custos dos insumos e das contínuas restrições nas cadeias de suprimento, ampliando os riscos para o rendimento das próximas colheitas. A demanda por adubos nitrogenados no bloco europeu situa-se atualmente 20% abaixo dos níveis médios sazonais, enquanto as compras de formulados fosfatados registraram retração de pelo menos 30%. O recuo nas aplicações decorre do impacto combinado de secas severas e calor extremo que já castigaram o desenvolvimento de culturas em campo, além dos desdobramentos do conflito no Irã, responsável por encarecer o óleo diesel e os custos de processamento químico.
O estrangulamento das principais rotas marítimas de comércio internacional, com navegação sob forte restrição no Mar Negro e no Estreito de Ormuz, impõe pressões logísticas adicionais sobre os fluxos comerciais e eleva os custos fabris para a própria indústria de transformação europeia. Nos primeiros nove meses de 2026, as importações totais de fertilizantes pela União Europeia despencaram 25% na comparação com a média histórica dos últimos cinco anos, somando 13,8 milhões de toneladas. Os cortes mais severos nos desembarques foram verificados na Alemanha, com queda expressiva de 56%, na Polônia, onde as importações recuaram 50%, e na França, com contração de 43%.
Embora os agricultores ainda disponham de prazo para recompor estoques antes das aplicações de cobertura com nitrogênio para o trigo de inverno e para a colza — programadas para o final de fevereiro, antecedendo as culturas de primavera —, atrasos nos cronogramas de entrega podem desorganizar os trabalhos no campo. O cenário tende a ficar ainda mais restritivo a partir de janeiro, com a entrada em vigor da cobrança da taxa de fronteira sobre as emissões de carbono nos fertilizantes importados pela UE, adicionando um componente de custo que pode desestimular o consumo de nutrientes e comprometer a produtividade potencial das lavouras europeias.
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