Lucro líquido da Bunge salta 91,6% no 3º trimestre de 2026 com impulso de esmagamento de oleaginosas e integração da Viterra
Resultado líquido alcançou US$ 318 milhões entre julho e setembro, com EBIT ajustado consolidado avançando 11,8% para US$ 846 milhões; ganhos no processamento de soja na América do Norte e América do Sul compensaram recuo em fertilizantes e fretes marítimos.
A Bunge registrou lucro líquido de US$ 318 milhões (cerca de R$ 1,69 bilhão) no terceiro trimestre de 2026, avanço de 91,6% frente aos US$ 166 milhões apurados em igual período de 2025. De acordo com o balanço divulgado nesta quinta-feira (29/10), o desempenho foi alavancado pela melhora nas margens de processamento e refino de soja e outras oleaginosas, somada à captura de sinergias de custos e expansão da malha global decorrentes da integração com a Viterra. O lucro diluído por ação das operações continuadas passou de US$ 0,86 para US$ 1,64 (US$ 2,56 na base ajustada, ante US$ 2,27 em 2025), enquanto o lucro operacional ajustado antes de juros e impostos (EBIT) cresceu 11,8%, atingindo US$ 846 milhões — ou US$ 997 milhões considerando apenas os segmentos operacionais. No acumulado de janeiro a setembro, o lucro líquido somou US$ 1,064 bilhão (frente a US$ 721 milhões em 2025) e o EBIT ajustado avançou de US$ 1,412 bilhão para US$ 2,072 bilhões.
Na principal divisão da companhia, de processamento e refino de soja, o EBIT ajustado avançou 18,2% no trimestre, para US$ 565 milhões, com as vendas líquidas subindo de US$ 10,857 bilhões para US$ 11,442 bilhões. Embora o volume de soja esmagado tenha recuado 3,2% no período (somando 11,745 milhões de toneladas) e a comercialização do grão tenha caído de 7,246 milhões para 5,274 milhões de toneladas, a produção de óleo de soja refinado cresceu de 932 mil para 1,051 milhão de toneladas. O avanço financeiro foi liderado pelas operações de esmagamento na América do Norte, Europa e América do Sul — onde a recuperação das margens de processamento no Brasil e na Argentina compensou parcialmente o desempenho inferior das atividades de refino e das operações de fertilizantes nos dois países. Nos nove primeiros meses do ano, o esmagamento acumulado de soja totalizou 34,026 milhões de toneladas, gerando um EBIT ajustado de US$ 1,387 bilhão (+35,6%).
O segmento de processamento e refino de outras oleaginosas também registrou expansão robusta, com o EBIT ajustado crescendo 19,6% no trimestre, para US$ 329 milhões, e a receita líquida subindo de US$ 3,661 bilhões para US$ 4,302 bilhões. Amparado por margens mais atrativas, o volume processado avançou 15,2%, alcançando 3,606 milhões de toneladas (acumulando 10,377 milhões de toneladas no ano), com destaque para os resultados na América do Norte e para a originação de canola no Canadá e na Austrália. Em contrapartida, a divisão de comercialização de grãos e moagem sofreu retração de 27,5% no EBIT ajustado trimestral, que recuou para US$ 87 milhões — com o volume movimentado cedendo levemente para 23,806 milhões de toneladas no trimestre, embora acumule salto de 40,972 milhões para 74,216 milhões de toneladas no ano —, pressionada por perdas nas operações de frete marítimo, açúcar e moagem de trigo.
A área de óleos tropicais e ingredientes especiais teve queda no EBIT ajustado de US$ 51 milhões para US$ 16 milhões no trimestre, reflexo de interrupções comerciais de origem geopolítica e custos de comissionamento industrial, ao passo que a joint venture Bunge Chevron Ag Renewables inaugurou uma nova linha de processamento em Destrehan, na Louisiana (EUA). Para o fechamento de 2026, a Bunge manteve a projeção de lucro ajustado por ação entre US$ 9,25 e US$ 9,75, elevando a expectativa para comercialização de grãos, mas revisando levemente para baixo as estimativas para soja e óleos tropicais. A multinacional prevê investimentos de capital próximos ao teto da faixa de US$ 1,5 bilhão a US$ 1,7 bilhão e ajustou a previsão de despesas líquidas com juros para o intervalo entre US$ 640 milhões e US$ 670 milhões.
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