Participação dos portos do Mar Negro nas exportações de grãos da Rússia desaba para 5,5% em outubro
Embarques por Novorossiysk caíram para 82,6 mil toneladas em meio a tombo de dois terços nas saídas marítimas totais; fluxo russo migra para terminais do Mar Báltico, que concentraram 65,3% das cargas.
Conforme acompanhamento setorial de logística e fluxos agrícolas internacionais da AMR Business Intelligence, a participação dos portos das bacias dos mares de Azov e Negro nas exportações marítimas de grãos da Rússia desabou para 5,5% em outubro de 2026, contra uma fatia de 71,6% registrada em igual mês do ano anterior. O volume escoado por esses terminais meridionais despencou de 5,38 milhões de toneladas em outubro de 2025 para apenas 130,5 mil toneladas no último mês. O gargalo refletiu-se de forma contundente em Novorossiysk — principal entreposto graneleiro do país —, cujos embarques encolheram para 82,6 mil toneladas (frente a 2,66 milhões de toneladas um ano antes), enquanto o porto de Tuapse registrou retração de 4,5 vezes, movimentando somente 47,8 mil toneladas. No cômputo geral, as exportações marítimas totais de grãos da Rússia somaram cerca de 2,3 milhões de toneladas em outubro, volume três vezes menor que o de outubro de 2025, acompanhadas pela redução no número de portos ativos na movimentação de cereais e leguminosas, que caiu de 43 para 21 unidades. As saídas de trigo caíram 3,1 vezes, totalizando 2 milhões de toneladas, e as de cevada recuaram 3,4 vezes, para 161,4 mil toneladas, enquanto o milho manteve estabilidade em 243,6 mil toneladas.
Diante do estrangulamento operacional e dos riscos no corredor do Mar Negro, os fluxos russos foram substancialmente redirecionados para os portos do Mar Báltico. Ao longo de outubro, os terminais bálticos movimentaram 1,56 milhão de toneladas de grãos, registrando uma expansão de 8,7 vezes na comparação interanual e elevando sua participação relativa de 2,4% para 65,3% do total marítimo do país. Os maiores volumes foram concentrados por Ust-Luga, com 684 mil toneladas, seguido por São Petersburgo, com 471 mil toneladas, e Vysotsk, com 368 mil toneladas. Simultaneamente, o porto de Astracã, situado no Mar Cáspio, movimentou 396 mil toneladas de grãos no período, direcionadas predominantemente ao abastecimento do mercado iraniano.
A reconfiguração na infraestrutura logística portuária provocou fortes alterações nos volumes recebidos pelos principais compradores internacionais da Rússia. O Egito sustentou a posição de principal destino do trigo russo, embora o volume importado tenha caído quatro vezes em relação a 2025, somando 380,8 mil toneladas. Os envios para o Irã cederam 2,2 vezes, totalizando 182 mil toneladas; os embarques para Bangladesh recuaram seis vezes, para 112,6 mil toneladas; e as vendas destinadas à Turquia registraram retração severa de 15,5 vezes, fechando o mês em 73,5 mil toneladas. Em contrapartida a esse recuo nos destinos tradicionais, alguns mercados africanos ampliaram suas aquisições no período: os carregamentos russos destinados ao Quênia avançaram 15%, atingindo 153 mil toneladas, enquanto as exportações direcionadas à Argélia cresceram 23%, somando 149 mil toneladas.
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