Canal do Panamá eleva tráfego em 4,1% no ano fiscal de 2026 e receita salta 16,6%, para US$ 6,6 bilhões
Normalização das chuvas garantiu calado máximo de 50 pés ao longo da estação seca; eclusas Neopanamax responderam por 52,2% da tonelagem e autoridade reativa reservas de última hora.
Conforme acompanhamento setorial de comércio marítimo e logística internacional da AMR Business Intelligence, a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) registrou recuperação no tráfego de navios e no volume transportado ao longo do ano fiscal de 2026, encerrado em 30 de setembro. A hidrovia interoceânica contabilizou 13.951 trânsitos de embarcações entre outubro de 2025 e setembro de 2026, representando um avanço de 4,1% em comparação aos 13.404 trânsitos apurados no exercício anterior. O crescimento operacional foi impulsionado sobretudo pela expansão nos embarques do segmento energético e pela demanda continuamente aquecida no transporte de contêineres em rotas globais.
O volume total de carga transportada atingiu 521 milhões de toneladas PC/UMS (sistema de medição de tonelagem do Canal do Panamá), expansão de 6,5% frente às 489,2 milhões de toneladas registradas no ano fiscal de 2025. O segmento atendido pelas eclusas Neopanamax respondeu por 52,2% da tonelagem total movimentada, registrando alta anual de 8,2% e consolidando o aumento da fatia de embarcações de grande porte na matriz de navegação do canal. De acordo com a administração da rota, o desempenho favorável decorreu tanto do reposicionamento dos fluxos do comércio internacional quanto da regularização das condições hídricas da bacia do Lago Gatún, o que permitiu sustentar o calado operacional máximo das embarcações em 50 pés (15,24 metros) durante toda a estação seca, sem a imposição de restrições severas de calado.
O ganho de eficiência e a maior presença de navios de alta capacidade impulsionaram as receitas operacionais em ritmo superior ao crescimento físico dos trânsitos: o faturamento do Canal do Panamá avançou 16,6% no exercício fiscal de 2026, somando 6,6 bilhões de balboas panamenhos — equivalentes a aproximadamente US$ 6,6 bilhões (cerca de R$ 35,18 bilhões). Diante da recomposição dos níveis de precipitação em direção às médias históricas e da eficácia das medidas de economia de água, a ACP reativou o serviço de Reserva de Última Hora (Last-Minute Reservation) para embarcações que utilizam as eclusas Panamax tradicionais, viabilizando vagas residuais para transportadores sem agendamento prévio e assegurando maior previsibilidade às conexões marítimas entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
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