Marrocos deve formalizar fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao Brasil
Acordo costurado em Rabat cobrirá 76% do déficit projetado para a safra 2026/27, enquanto negociação paralela prevê zerar tarifa de 220% para a carne bovina brasileira.
De acordo com matéria publicada no portal da CNN Brasil, o governo do Marrocos deverá oficializar nos próximos dias um compromisso para o fornecimento contínuo e seguro de fertilizantes ao agronegócio brasileiro, em resposta aos gargalos logísticos globais causados pelos conflitos armados no Leste Europeu e no Oriente Médio. O termo será formalizado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, durante missão oficial a Rabat na próxima semana, acompanhado por representantes de 12 entidades do agronegócio nacional, incluindo a Aprosoja e a Abramilho.
Pelo acordo, o país africano fornecerá 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao mercado brasileiro, montante correspondente a 76% do déficit total de 5 milhões de toneladas estimado pelo governo para a safra 2026/27. Com o primeiro embarque previsto para ocorrer imediatamente na próxima semana, o ministério descarta o risco de desabastecimento nas lavouras do país, que dependem do mercado internacional para atender cerca de 92% da demanda interna por nutrientes químicos.
A movimentação integra uma estratégia bilateral em duas frentes: a busca por parceiros externos imediatos — a exemplo dos acordos firmados no início do ano com a China — e o fomento à produção doméstica a longo prazo, com a reabertura gradual de quatro unidades fabris da Petrobras. Como o Brasil carece de capacidade instalada suficiente para suprir a demanda interna de fosfatos, insumo historicamente importado da Rússia, a aproximação com os produtores marroquinos busca consolidar uma alternativa estável de abastecimento.
Em contrapartida, a comitiva brasileira negociou a ampliação das exportações de carne bovina para o Marrocos, com a previsão de zerar a alíquota de importação atualmente fixada em 220%, barreira que até então limitava a competitividade do produto no país. O mercado marroquino tem demanda potencial calculada entre 100 mil e 150 mil toneladas anuais pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e é avaliado pela indústria, representada pela Abiec, como uma plataforma estratégica para abrir espaço ao produto nacional em outros destinos do continente africano. Em 2025, os embarques brasileiros de carne bovina ao país somaram 9,5 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 27,7 milhões (aproximadamente R$ 141,9 milhões).
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