IGC reduz projeção da safra global de grãos 2026/27 para 2,415 bilhões de toneladas diante de quebras no trigo e milho

Ondas de calor na Europa e paralisia nos embarques do Mar Negro reduzem comércio e estoques finais, enquanto a soja caminha para produção recorde.

Publicado em 21 de agosto de 2026 às 21:37
Atualizado em 22 de agosto de 2026 às 12:26
Pedro

O Conselho Internacional de Grãos (IGC) revisou para baixo sua estimativa para a produção global de grãos na temporada 2026/27, cortando 6 milhões de toneladas em relação ao relatório anterior e fixando o volume total em 2,415 bilhões de toneladas. O ajuste reflete a deterioração das perspectivas para as lavouras de trigo e milho, impactadas principalmente pelo calor prolongado e pela estiagem na Europa, o que forçou o IGC a reduzir as projeções para a União Europeia pelo segundo mês consecutivo. Apesar do corte, o volume projetado ainda se posiciona como a segunda maior safra da história, embora fique 3% abaixo do recorde registrado no ciclo anterior.


No detalhamento por cultura, a estimativa para o trigo global foi reduzida em 4 milhões de toneladas, totalizando 817 milhões de toneladas, enquanto a colheita mundial de milho foi ajustada para baixo em 1 milhão de toneladas, ficando em 1,305 bilhão de toneladas. O comércio internacional de grãos em 2026/27 deve recuar 3,5%, somando 451 milhões de toneladas. O segmento de trigo responderá pela maior contração comercial, com queda de cerca de 13 milhões de toneladas, impulsionada pela paralisação prática dos embarques de águas profundas na Ucrânia e na Rússia — onde as exportações de trigo desde meados de julho acumulam defasagem de aproximadamente 4 milhões de toneladas frente aos níveis normais.


Com o recuo na oferta agregada e a demanda estável, os estoques finais globais de grãos devem encolher 4,5%, atingindo 606 milhões de toneladas. Em contrapartida, o complexo soja segue trajetória divergente: estimativas de safras robustas no Brasil e nos Estados Unidos devem levar a produção mundial da oleaginosa ao recorde histórico de 441 milhões de toneladas, com o comércio internacional podendo alcançar 190 milhões de toneladas. No quadro de preços, o índice de cotações de grãos e oleaginosas do conselho (GOI) subiu 3% desde julho, alcançando o maior patamar em dois anos — avanço anual de quase 14%, com trigo e soja acumulando valorização de 16% em relação a agosto de 2025.

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