Carregamento na malha ferroviária russa recua 1,2% em setembro para 90,3 milhões de t, mas giro de carga avança com aumento nas distâncias
Embarques de grãos saltam 42,2% no acumulado de janeiro a setembro, enquanto fertilizantes registram leve contração de 1,5%; redirecionamento logístico eleva tráfego em t-km.
O volume de cargas carregado na malha da estatal Russian Railways (RZD) somou 90,3 milhões de toneladas em setembro de 2026, apontando um recuo de 1,2% na comparação direta com o mesmo mês de 2025, segundo dados operacionais divulgados pela companhia. Em contrapartida, o giro tarifário de cargas no mês avançou 3,4% em base anual, atingindo 206,3 bilhões de toneladas-quilômetro (t-km), enquanto o giro total (que contempla a movimentação de vagões vazios) subiu 1,1%, alcançando 251,1 bilhões de t-km.
De acordo com a operadora ferroviária, o descolamento entre a retração no volume físico carregado — afetado por fatores externos — e o crescimento do faturamento por t-km decorre do redirecionamento estratégico dos fluxos de escoamento e da ampliação das distâncias médias de transporte. No balanço setorial de setembro, destacaram-se as altas nos carregamentos de grãos (+9,0% vs. setembro de 2025), cimento (+7,3%), minérios não ferrosos (+6,5%), matérias-primas industriais (+2,7%), metais ferrosos (+2,5%) e sucata metálica (+50,2%).
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a movimentação física na malha da RZD totalizou 824,4 milhões de toneladas, sinalizando uma contração de 0,7% frente a igual intervalo do ciclo anterior. O giro de carga tarifário nos nove meses somou 1,867 trilhão de t-km (+0,9% anual), ao passo que o giro com vagões vazios permaneceu estável em 2,295 trilhões de t-km.
O desempenho acumulado dos principais segmentos no período de nove meses revelou comportamentos divergentes:
- Agronegócio e insumos: Os embarques ferroviários de grãos dispararam 42,2% na comparação interanual, totalizando 23,9 milhões de toneladas, refletindo o forte ritmo de escoamento da safra russa. Já o grupo de fertilizantes químicos e minerais registrou leve retração de 1,5%, movimentando 51,7 milhões de toneladas, enquanto as matérias-primas sulfurosas e minérios não ferrosos subiram 5,3%, para 13,8 milhões de t.
- Energéticos: O transporte de carvão mineral — principal carga em volume — cresceu 2,3%, atingindo 245,9 milhões de toneladas. Em sentido oposto, petróleo e derivados recuaram 7,9% (135,5 milhões de t) e o coque cedeu 8,6% (6,9 milhões de t).
- Metais e construção: Registraram-se quedas em minério de ferro e manganês (-0,8%, para 79,6 milhões de t), produtos siderúrgicos ferrosos (-8,5%, para 35,2 milhões de t), cimento (-2,7%, para 15,5 milhões de t), materiais de construção (-3,7%, para 72,9 milhões de t) e madeira (-4,5%, para 18,1 milhões de t). Por outro lado, a sucata ferrosa avançou 5,8%, somando 5,9 milhões de toneladas.
- Cargas em contêineres e demais produtos: A movimentação conteinerizada e outras cargas diversas alcançaram 86,5 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, uma expansão anual de 3,9%.
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