Transportador de GNL gigante do Catar navega rumo a Ormuz com destino ao Paquistão em meio a concessões diplomáticas do Irã

Embarcação da classe Q-Max transporta 266 mil m³ de gás natural liquefeito e precisará de transbordo; operações navio a navio fora do Golfo contornam bloqueio militar.

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 23:39
Pedro

O supertransportador de GNL Al Mafyar (capacidade de 266.000 m³), controlado pela estatal QatarEnergy, foi detectado navegando em direção ao Estreito de Ormuz a partir do interior do Golfo Pérsico com seu transponder AIS ligado na tarde desta terça-feira (06/10), de acordo com dados de rastreamento marítimo da Vortexa. O navio havia deixado o fundeadouro do polo exportador de Ras Laffan no início da semana e permaneceu ancorado no setor ocidental do Golfo antes de iniciar o trajeto de travessia.


A embarcação declarou oficialmente destino para o terminal de regaseificação de Port Qasim, no Paquistão (capacidade de 5 milhões de t/ano). O trânsito de navios de GNL do Catar com destino ao país sul-asiático tem ocorrido sob autorização pontual de Teerã, como reflexo da mediação diplomática exercida pelo governo paquistanês na recepção de conversas entre autoridades dos Estados Unidos e do Irã. No mês de setembro, o Paquistão já havia recebido duas cargas catarianas. A estatal Pakistan LNG encerrou sua última concorrência no início de setembro sem adjudicação e necessita de duas cargas para suprir a demanda projetada para outubro.


Por se tratar de um transportador de GNL da classe Q-Max — as maiores unidades de transporte de gás liquefeito do mundo —, a atracação direta em Port Qasim é inviável, já que a infraestrutura paquistanesa nunca recebeu embarcações desse porte e opera convencionalmente com lotes de 140.000 m³. A operação exigirá, portanto, o transbordo fracionado do volume do Al Mafyar para transportadores de GNL menores em águas abertas: com a carga plena, o navio pode suprir duas entregas de aproximadamente 130.000 m³ (descontadas perdas térmicas por boil-off e o salto operacional residual), cobrindo a demanda integral do Paquistão para este mês.


Paralelamente às travessias autorizadas com sinal aberto, o mercado mantém esquemas logísticos alternativos por meio de viagens com sinal desligado e transbordos navio a navio (ship-to-ship - STS) fora da área de conflito direto. O transportador de GNL catariano Al Thakhira (143.517 m³) navega atualmente pelo Oceano Índico em direção ao leste após ter sido abastecido via STS com carga originada em Ras Laffan. A embarcação manteve seus sinais de posicionamento permanentemente do lado de fora do Golfo, aproximando-se do ancoradouro ao largo de Sohar, em Omã, onde registrou variação de calado compatível com o recebimento de produto transferido por outro navio que cruzou o estreito sem emissão de sinal.


Imagens de satélite do programa Copernicus confirmaram a realização sistemática dessas operações ao registrar a presença de transportadores de GNL com tanques esféricos do tipo Moss em manobras de acoplamento e transbordo na costa de Omã. Na mesma região, o transportador de GNL Murwab (210.100 m³) declarou rota para o ancoradouro de Fujairah (Emirados Árabes Unidos), despontando como o próximo ativo posicionado para intermediar cargas de GNL catariano e mitigar os riscos extremos de bloqueio naval em Ormuz.

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