Exportações de enxofre do Cazaquistão recuam 23% até agosto para 2,30 milhões de t, mas envios ao Brasil avançam 47%
Bloqueio ferroviário russo e veto governamental derrubaram embarques em julho e agosto; retenção de cargas cazaques aperta oferta global do insumo.
As exportações de enxofre do Cazaquistão totalizaram 2,30 milhões de toneladas nos primeiros oito meses de 2026, apontando uma retração de 23% em relação a igual intervalo de 2025 e atingindo o patamar mais deprimido para o período desde 2024. A retração anual foi puxada pelo desabamento das remessas para seus principais mercados no norte da África e Oriente Médio: o Marrocos, maior destino do enxofre cazaque, recebeu 1,06 milhão de toneladas entre janeiro e agosto, uma queda de 37%, enquanto os envios ao Egito cederam 36% (para 149.641 t) e a Israel tombaram 51% (para 135.101 t). Em contrapartida, os embarques para o Brasil cresceram 47% no acumulado de oito meses, alcançando 278.218 toneladas, ao mesmo tempo em que os volumes com destino ao Senegal subiram 96% (143.295 t) e o Uzbequistão despontou como comprador expressivo, internalizando 183.501 toneladas frente a apenas 3.234 t um ano antes.
A trajetória mensal reflete diretamente os choques logísticos e regulatórios enfrentados pelo país da Ásia Central ao longo do terceiro trimestre. Após alcançarem 589.714 toneladas em junho (alta anual de 23%), os embarques cazaques despencaram 76% em julho, limitando-se a 105.131 toneladas em virtude do banimento temporário das exportações adotado pelo governo local. A restrição havia sido instituída após a Rússia suspender, no final de maio, o trânsito ferroviário de enxofre cazaque por sua malha férrea rumo aos portos marítimos internacionais. Apesar de o veto ter sido suspenso em 4 de agosto, o ritmo de exportação apresentou apenas modesta recuperação no mês, somando 136.695 toneladas — patamar ainda 48% inferior ao apurado em agosto de 2025. Esse estrangulamento prolongado nos corredores terrestres do Cazaquistão mantém os fluxos comerciais abaixo dos padrões históricos e adiciona forte pressão de alta sobre a disponibilidade global de enxofre para a indústria de fertilizantes fosfatados.
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