Exportações de petróleo da Arábia Saudita atingem recorde na guerra com reabertura do duto Leste-Oeste, mas frete de US$ 30/b corrói margens
Embarques alcançam 8,5 milhões de b/d sob estratégia de saída por duas costas; custo de frete marítimo para a Ásia salta 500% e pressiona receita líquida da Aramco.
As exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita atingiram o patamar mais elevado desde a eclosão do conflito entre Estados Unidos e Irã, impulsionadas pelo restabelecimento operacional do oleoduto Leste-Oeste, segundo informou uma agência marítima à agência de notícias AGBI. O salto nos volumes embarcados tende a reforçar o faturamento da estatal Saudi Aramco, embora analistas destaquem que os ganhos financeiros enfrentam severa compressão pelos custos logísticos extraordinários decorrentes das ameaças iranianas no Estreito de Ormuz e do controle da milícia houthi sobre o acesso meridional do Mar Vermelho.
De acordo com levantamento da consultoria de inteligência marítima Kpler, os carregamentos de óleo cru saudita registraram média de 8,5 milhões de barris por dia (b/d) ao longo da última semana — volume cerca de um terço superior à média observada pelo país em 2025. Na última segunda-feira, aproximadamente 10 milhões de barris foram carregados exclusivamente no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, após as operações do terminal terem ficado paralisadas por dez dias em decorrência do ataque de drones executado em 10 de setembro contra a infraestrutura de 1.200 km da linha Leste-Oeste.
A retomada em Yanbu opera de forma parcial, estimando-se que a restauração plena da capacidade nominal de 7 milhões de b/d demande até um mês. Paralelamente, Riad reativou os embarques via Golfo Pérsico adotando um esquema de navegação em comboios curtos (shuttling), o que permite à Arábia Saudita expedir hidrocarbonetos simultaneamente por suas duas costas litorâneas. Com os contratos futuros do barril de Brent negociados acima de US$ 100 e as cotações no mercado spot em patamares ainda mais valorizados, analistas observam uma postura agressiva de maximização de vendas para monetizar o choque de preços.
A sustentabilidade desse fluxo em níveis elevados, contudo, é colocada em dúvida diante de gargalos operacionais no Mar Vermelho e no Golfo de Omã:
Vazão insuficiente do duto: Estimativas de mercado situam a vazão atual da linha Leste-Oeste entre 2,5 milhões e 3,5 milhões de b/d, patamar aquém do necessário para ancorar de forma permanente o volume total exportado.
Ineficiência no transbordo: A operação de shuttling em Ormuz amarra embarcações menores no transporte de óleo para superpetroleiros (VLCCs) posicionados no Golfo de Omã, tornando as manobras lentas, complexas e logisticamente onerosas.
Escalada astronômica do frete: O custo de transporte marítimo para o Leste Asiático — principal mercado comprador do reino — disparou de US$ 5 por barril às vésperas do conflito (recorde histórico à época) para cerca de US$ 30 por barril, segundo dados da consultoria Vortexa, configurando uma alta de 500% (seis vezes).
A escassez de armadores dispostos a assumir o risco de navegação diante das ameaças de Teerã e dos houthis gerou concentração de mercado nas mãos de poucas companhias dispostas a operar essas rotas de alto risco, permitindo a fixação de tarifas de afretamento sem precedentes históricos. Como consequência direta, os produtores do Oriente Médio veem-se forçados a absorver expressivos descontos no preço líquido de realização do barril (netback), transferindo parcela relevante dos lucros extraordinários do petróleo para a remuneração de fretes e seguros de guerra.
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