Entregas de fertilizantes no Brasil recuam 8,8% até julho sob impacto da guerra no Irã, crédito restrito e juros altos

Volume acumulado soma 22,98 milhões de toneladas, com tombo de 22,3% em julho; ANDA relata desafios na coleta de dados de produção nacional de ureia e KCl.

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 23:38
Pedro

De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro alcançaram 22,98 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026, volume que representa uma retração de 8,8% frente às 25,21 milhões de toneladas registradas em igual período de 2025. O recuo acentuou-se de forma expressiva no trimestre mais recente (maio, junho e julho), registrando quedas de 15% a 20%, com o encerramento de julho totalizando 3,96 milhões de toneladas — um tombo de 22,3% na comparação direta com as 5,09 milhões de toneladas entregues em julho do ano anterior.


Ainda de acordo com a associação, o movimento reflete o impacto cumulativo das tensões geopolíticas internacionais desencadeadas pela guerra no Irã, que arrefeceram o fechamento de novos negócios a partir do segundo trimestre e comprometeram o ritmo de entregas voltado à safra 2026/27. Esse quadro soma-se à deterioração das relações de troca (que operam acima das médias históricas), escassez de crédito rural, aumento dos riscos de recuperações judiciais no campo, patamares elevados de juros e incertezas climáticas associadas ao El Niño. Regionalmente, Mato Grosso manteve a liderança no acumulado até julho, respondendo por 25,4% da demanda nacional com 5,83 milhões de toneladas, seguido por Paraná (2,60 milhões de t), Goiás (2,45 milhões de t), São Paulo (2,36 milhões de t), Rio Grande do Sul (1,70 milhão de t), Bahia (1,65 milhão de t) e Minas Gerais (1,64 milhão de t).


No parque industrial doméstico, a produção brasileira de fertilizantes intermediários encerrou julho com 517 mil toneladas (recuo de 19,9% em base anual) e acumulou 3,34 milhões de toneladas nos primeiros sete meses do ano, uma contração de 19,7% sobre as 4,16 milhões de toneladas apuradas em 2025. O desempenho foi pressionado sobretudo pela cadeia de fosfatados, afetada pelas altas contínuas do enxofre no mercado internacional.


A entidade fez questão de pontuar, contudo, que os dados fabris enfrentam limitações estatísticas: apesar dos esforços de articulação junto ao setor, mudanças societárias recentes e processos graduais de reativação de plantas industriais geraram dificuldades operacionais na obtenção e consolidação completa das informações, de modo que nem todo o volume produzido no país foi integralmente capturado no levantamento, afetando de forma mais acentuada os números relativos à produção doméstica de ureia e cloreto de potássio.

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