IEA aponta perda de quase 2,8 bi de barris em exportações de petróleo devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz
Agência estima que fluxos pelo canal ficaram 13,1 mi de b/d abaixo dos níveis pré-guerra em agosto; estoques globais despencam e demanda é revisada para baixo.
Quase 2,8 bilhões de barris em exportações de petróleo foram perdidos através do Estreito de Ormuz desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, embora fontes alternativas de suprimento, reduções de estoques e a retração na demanda tenham conseguido cobrir grande parte dessa lacuna, informou a Agência Internacional de Energia (AIE). Os fluxos diários pelo estreito registraram média de 7,6 milhões de barris por dia (b/d) em agosto, patamar cerca de 13,1 milhões de b/d inferior aos volumes observados no período anterior ao conflito.
As exportações realizadas por rotas capazes de contornar Ormuz compensaram mais de 500 milhões de barris — uma média de 2,8 milhões de b/d — desde o início das hostilidades. Os embarques combinados a partir de Yanbu, na Arábia Saudita, e Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, saltaram de 4,1 milhões de b/d em fevereiro para 7,8 milhões de b/d em junho, antes que ataques de rebeldes Houthis no Mar Vermelho reduzissem os fluxos para 5,5 milhões de b/d em agosto. Adicionalmente, o incremento produtivo fora do Golfo Pérsico em países como Estados Unidos, Brasil, Cazaquistão, Venezuela e Nigéria neutralizou outros 420 milhões de barris das perdas acumuladas.
O restante do déficit de oferta foi absorvido por saques de estoques e pela contração na demanda global. De acordo com a AIE, os estoques globais observados recuam a taxas recordes e situam-se 507 milhões de barris abaixo do volume registrado antes do conflito. A agência calcula que as reduções acumuladas na demanda mundial superem 1 bilhão de barris, impulsionadas por quedas acentuadas na China e no Oriente Médio, onde a demanda aparente chinesa nos últimos seis meses operou cerca de 1,7 milhão de b/d abaixo dos níveis de fevereiro devido à diminuição de importações, da atividade de refino e das entregas de derivados.
Diante do impasse nas negociações entre Washington e Teerã, a AIE avalia que a normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz foi adiada para o próximo ano, assumindo que as restrições à navegação persistirão ao longo de todo o ano de 2026. Com a recente escalada de combates entre os EUA e o Irã no Golfo e entre a Arábia Saudita e os Houthis no Mar Vermelho, a produção global de petróleo recuou 1,6 milhão de b/d no mês, atingindo 100,1 milhões de b/d em agosto, com cerca de 10 milhões de b/d da produção do Golfo permanecendo interrompida.
Para o fechamento de 2026, a oferta mundial de petróleo deverá contrair-se em 5,7 milhões de b/d na comparação anual, situando-se em 100,7 milhões de b/d (uma projeção 1,3 milhão de b/d inferior à do relatório anterior), com recuperação estimada em 8 milhões de b/d para 2027. Do lado da demanda, a AIE projeta queda de 2,5 milhões de b/d para 102,5 milhões de b/d em 2026 — um recuo 940 mil b/d mais acentuado do que o previsto na edição prévia —, antes de um repasse de alta de 2,6 milhões de b/d em 2027. Os prejuízos de consumo concentram-se em destilados médios e matérias-primas petroquímicas, especialmente na Ásia, ao passo que restrições nas exportações de refinados do Oriente Médio e da Rússia apertaram drasticamente a disponibilidade de diesel e gasóleo, elevando expressivamente as cotações internacionais.
Deixe um comentário
Comentários (0)