Hynfra planeja complexo de amônia verde de US$ 1,5 bilhão nas Filipinas para suprir demanda do Nordeste Asiático

Desenvolvedora polonesa aposta na ilha de Mindoro para diversificar rotas logísticas e atender metas de descarbonização no Japão, Coreia do Sul e Taiwan, fugindo de gargalos geopolíticos.

Publicado em 30 de julho de 2026 às 12:30
Pedro

Hynfra planeja complexo de amônia verde de US$ 1,5 bilhão nas Filipinas para suprir demanda do Nordeste Asiático. A desenvolvedora polonesa aposta na ilha de Mindoro para diversificar rotas logísticas e atender metas de descarbonização no Japão, Coreia do Sul e Taiwan, fugindo de gargalos geopolíticos. A empresa polonesa Hynfra, especializada no desenvolvimento de projetos de hidrogênio e amônia verde, firmou um memorando de entendimento com um parceiro filipino para a construção de um complexo de amônia verde na ilha de Mindoro, nas Filipinas. O projeto, estimado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, tem como objetivo atender à demanda institucional e orientada por políticas públicas por amônia de baixa emissão em países do Nordeste Asiático, como Japão, Coreia do Sul e Taiwan.


Sob os termos do acordo, os parceiros iniciarão estudos técnicos, ambientais e comerciais para viabilizar a maturidade para investimento do empreendimento. A fase inicial prevê a produção de cerca de 100 mil toneladas anuais de amônia verde, com potencial de expansão para até 1 milhão de toneladas por ano. A rota tecnológica baseia-se na alimentação de capacidade de eletrólise por fontes de energia renovável para a geração de hidrogênio, que posteriormente será convertido em amônia. A companhia destaca que a iniciativa integra sua estratégia de consolidação de um portfólio global de ativos de hidrogênio e amônia, com projetos em andamento em mercados como Jordânia, Mauritânia e Omã.


A escolha da ilha de Mindoro é apresentada como uma resposta direta às recentes disrupções registradas no Estreito de Ormuz, que evidenciaram a vulnerabilidade das cadeias de suprimento de fertilizantes e energia para a Ásia. A localização na Bacia do Pacífico encurta as rotas de fornecimento e reduz a dependência de corredores logísticos sensíveis ao risco geopolítico, desde o Estreito de Malacca até as rotas de exportação do Golfo Pérsico. Segundo o CEO da Hynfra, Tomoho Umeda, a demanda na região já está precisamente definida e respaldada por políticas nacionais, permitindo entregar o insumo diretamente aos mercados asiáticos sem transitar por rotas de alto risco. A Hynfra aponta que os governos do Nordeste Asiático já incorporaram volumes expressivos de amônia de baixa emissão em seus planejamentos energéticos de longo prazo, destacando o Japão, que planeja demanda de aproximadamente 3 milhões de toneladas de amônia por ano até 2030, projetando expansão para 30 milhões de toneladas anuais até 2050; a Coreia do Sul, que tem como meta co-queimar amônia em mais da metade de sua frota de carvão até 2030, com expectativas de importação próxima a 9 milhões de toneladas por ano; e Taiwan e China, que também avançam na adoção de amônia para aplicações industriais e de geração de energia, consolidando Mindoro como um ponto estratégico de suprimento na bacia do Pacífico.

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