Gazprom planeja construir planta de fertilizantes nitrogenados em Belarus e Lukashenko propõe entrada dos EUA
Acordo firmado entre Minsk e Moscou prevê investimento conjunto da estatal russa, enquanto líder bielorrusso sugere fornecimento de tecnologia norte-americana após aproximação no mercado de potássio.
A gigante estatal russa de gás Gazprom fechou um acordo preliminar para participar da construção de uma nova planta industrial de fertilizantes nitrogenados em Belarus, conforme revelou o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, nesta terça-feira (29/09) durante reunião em Minsk com o governador da região russa de Ulyanovsk. Em um movimento diplomático inesperado, Lukashenko propôs formalmente a inclusão dos Estados Unidos como parceiro no empreendimento fabril, sugerindo um arranjo tripartite que integraria o suprimento de insumos da Rússia e de Belarus à tecnologia e ao capital industrial norte-americanos para suprir a demanda global de nutrientes agrícolas.
Segundo Lukashenko, o projeto com Vladimir Putin e a Gazprom já conta com sítio industrial selecionado em território bielorrusso e infraestrutura básica de utilidades plenamente interligada. O líder destacou que, diante do déficit norte-americano de fertilizantes, Washington poderia viabilizar o licenciamento tecnológico e a engenharia da unidade. Caso a Casa Branca recuse o convite, o mandatário assegurou que o ativo será construído exclusivamente em parceria com a Gazprom e parceiros russos, direcionando o produto acabado para a exportação nos mercados internacionais.
O aceno a Washington ocorre exatamente uma semana após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado a articulação de um acordo bilateral de grande porte para aquisição de cloreto de potássio de Belarus com preços inferiores aos praticados pelo Canadá. Embora analistas de mercado e o próprio governo bielorrusso tenham alertado na sequência que grande parte dos volumes de potássio já se encontra previamente contratada e que as rotas de escoamento permanecem dependentes da malha logística russa, a nova proposta para o setor de nitrogenados reforça o movimento de Minsk de utilizar a cadeia de insumos agrícolas e o gás russo como pontes de barganha comercial e diplomática com o Ocidente.
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