Exportações de grãos da Rússia recuam 22,2% nos primeiros dez dias de agosto e ficam abaixo de 1 milhão de toneladas

Concentração de embarques em apenas três culturas e paralisação dos fluxos para a Turquia evidenciam estrangulamento comercial.

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 09:44
Atualizado em 14 de agosto de 2026 às 13:26
Pedro

As exportações russas das principais culturas de grãos somaram 976,4 mil toneladas nos primeiros dez dias de agosto, marcando uma retração de 22,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O recuo foi generalizado entre as commodities da pauta: os embarques de trigo caíram 18,1% (para 801,5 mil toneladas), a cevada recuou 30% (146,5 mil toneladas) e o volume de milho despencou para apenas 28,3 mil toneladas. Segundo o monitoramento da União de Grãos da Rússia (RGU), o cenário reflete um forte estrangulamento comercial, evidenciado pela redução drástica na diversidade das exportações — restritas a apenas três culturas, contra 14 no ano anterior — e pelo encolhimento no número de destinos globais.


No balanço logístico, o Egito manteve-se como o principal comprador do trigo russo, com um leve incremento de 4,3% (233,6 mil toneladas). Destacam-se também avanços atípicos nos embarques para o Sri Lanka (que cresceram 17 vezes, para 77 mil toneladas) e Bangladesh (alta de 3,4 vezes, para 50,3 mil toneladas). Em contrapartida, o fluxo tradicional para a Turquia não registrou movimentação no início do mês, e a Nigéria reduziu suas compras em 43%. No segmento de cevada, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos despontaram como novos destinos logísticos no Oriente Médio, absorvendo a maior parte do volume (88,6 mil e 46,4 mil toneladas, respectivamente), enquanto as exportações de milho ficaram integralmente restritas ao Irã, operando com metade do volume escoado no ano anterior.

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