Governo dos EUA estuda incentivos ferroviários para reter enxofre no mercado interno e aliviar crise nos fertilizantes fosfatados
USDA e Departamento de Transportes analisam medidas para reduzir custos logísticos de refinarias do Golfo, onde cotações spot do enxofre atingiram US$ 1.050/t após gargalos no Estreito de Ormuz.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e o Departamento de Transportes norte-americano abriram discussões para estruturar mecanismos regulatórios e incentivos logísticos que estimulem as refinarias de petróleo da Costa do Golfo a priorizarem o fornecimento doméstico de enxofre líquido à indústria nacional de fertilizantes fosfatados. Segundo o vice-secretário de Agricultura, Stephen Vaden, as agências federais avaliam meios para baratear as tarifas do transporte ferroviário e desobstruir gargalos logísticos, buscando conter o escoamento do insumo para os mercados externos e garantir matéria-prima competitiva para as fábricas de adubos do país. O movimento ocorre em resposta à escalada nos preços mundiais do nutriente, impulsionada por interrupções em rotas marítimas estratégicas — em especial no Estreito de Ormuz —, que travaram fluxos do Oriente Médio e inflacionaram as matérias-primas industriais.
No mercado à vista da Costa do Golfo dos EUA, as cotações spot do enxofre líquido operaram na faixa de US$ 1.000 a US$ 1.050 por tonelada FOB na última semana, patamar que contrasta com a média de US$ 280 a US$ 290 por tonelada registrada no mesmo intervalo de 2025 e supera com folga os US$ 500 a US$ 510 por tonelada apurados no início de janeiro de 2026. Como o enxofre é gerado essencialmente como subproduto do refino de hidrocarbonetos, os elevados prêmios internacionais atraíram as refinarias norte-americanas para a exportação direta de cargas a granel, reduzindo a oferta doméstica e encarecendo drasticamente o custo do ácido sulfúrico. Esse choque de custos atingiu diretamente os balanços dos fabricantes de fosfatados, forçando a Mosaic a reduzir as taxas de operação em complexos fabris na Flórida e a paralisar a produção de fosfatados na unidade de Faustina, na Louisiana, dinâmica de racionamento também observada internacionalmente em grandes conglomerados como o marroquino Grupo OCP.
A proposta técnica interministerial concentra-se no fortalecimento do transporte por vagões-tanque especializados a partir das refinarias texanas e da Louisiana até os polos produtores de fosfatados, permitindo que o insumo viaje fundido sem a necessidade de dispendiosos processos térmicos de refusão nas plantas consumidoras — etapa comum no uso de enxofre granulado ou pastilhado importado. Analistas de mercado destacam que a América do Norte não enfrenta escassez física estrutural, uma vez que produz cerca do dobro do enxofre que consome, situando a raiz da crise nas distorções de preços relativos e nos elevados custos logísticos internos. A mobilização de Washington atende ainda a pressões da bancada de congressistas da Flórida, que alertaram para os reflexos da inflação dos fertilizantes sobre as margens dos produtores rurais e a segurança das cadeias agrícolas no horizonte dos próximos dois anos.
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