Lucro líquido da Nutrien recua 39% no 3T26 para US$ 288 milhões sob pressão de nitrogenados e fosfatados

EBITDA consolidado caiu 8%, para US$ 1,31 bilhão, com divisão de fosfato amargando tombo de 93% diante do enxofre caro; vendas de potássio batem recorde de 11,5 milhões de toneladas no ano e crédito restrito limita compras no Brasil.

Publicado em 5 de novembro de 2026 às 11:17
Pedro

Conforme acompanhamento setorial e financeiro de fertilizantes globais da AMR Business Intelligence, a canadense Nutrien encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 288 milhões (aproximadamente R$ 1,53 bilhão), representando uma retração de 39% em comparação aos US$ 469 milhões apurados em igual período de 2025. A receita líquida consolidada registrou leve expansão de 1%, somando US$ 6,064 bilhões (cerca de R$ 32,32 bilhões), enquanto o EBITDA ajustado recuou 8%, totalizando US$ 1,310 bilhão (cerca de R$ 6,98 bilhões). No acumulado dos primeiros nove meses de 2026, o lucro líquido alcançou US$ 1,649 bilhão (-4%), com receita de US$ 22,922 bilhões (+6%), EBITDA ajustado de US$ 4,845 bilhões (+2%) e fluxo de caixa operacional em alta de 17%, para US$ 1,208 bilhão. Segundo o presidente e CEO da companhia, Ken Seitz, o balanço dos nove meses foi sustentado por volumes recordes de potássio, margens brutas sólidas em produtos proprietários e foco em eficiência operacional, atenuando a compressão nas demais linhas nutricionais.


O desempenho operacional evidenciou forte assimetria entre os segmentos de nutrientes. A divisão de Potássio manteve-se resiliente, gerando EBITDA ajustado de US$ 730 milhões no trimestre (estável ante os US$ 733 milhões do 3T25) e vendas de 4,073 milhões de toneladas. No acumulado de janeiro a setembro, o volume comercializado de cloreto de potássio (KCL) atingiu o recorde histórico de 11,526 milhões de toneladas, elevando o EBITDA do segmento em 9%, para US$ 1,966 bilhão, com o preço líquido médio realizado avançando de US$ 250 para US$ 269 por tonelada. Em sentido oposto, a divisão de Fosfatados sofreu colapso de 93% no EBITDA ajustado trimestral, que despencou de US$ 122 milhões para apenas US$ 8 milhões (cerca de R$ 42,6 milhões), com margem bruta negativa em US$ 50 milhões, sob forte impacto da disparada nos preços do enxofre. Nos Nitrogenados, o EBITDA ajustado caiu 11%, para US$ 497 milhões, com recuo nas vendas físicas de 2,827 milhões para 2,354 milhões de toneladas, reflexo de paradas programadas e da inatividade operacional nas unidades industriais de Trinidad e Tobago e New Madrid (EUA).


Na unidade de varejo de insumos agrícolas (Nutrien Ag Solutions), a receita trimestral somou US$ 3,443 bilhões, com o EBITDA ajustado recuando 12%, para US$ 203 milhões, prejudicado pela queima de margens em estoques de nitrogenados adquiridos a custos mais altos. Em defensivos agrícolas, a receita trimestral totalizou US$ 1,519 bilhão (margem bruta em alta de US$ 399 milhões para US$ 413 milhões) e alcançou US$ 5,411 bilhões nos nove meses. A fraqueza geral levou a multinacional a revisar sua projeção de EBITDA anual do varejo de US$ 1,75–1,95 bilhão para a faixa de US$ 1,72–1,85 bilhão. Em relação ao mercado brasileiro, a Nutrien projeta estabilidade a crescimento moderado nas áreas destinadas à soja e ao milho na safra 2026/27, amparadas pelo ritmo de semeadura; contudo, a companhia apontou que a oferta escassa de crédito e o endividamento dos produtores rurais continuam restringindo as aquisições de fertilizantes, enquanto intempéries e ajustes de mix penalizaram a margem de sementes no país.


Para o balanço global de oferta e demanda, a Nutrien reiterou a estimativa de embarques mundiais de potássio entre 74 milhões e 77 milhões de toneladas em 2026, projetando nova expansão para 75 milhões a 79 milhões de toneladas em 2027, impulsionada pela rentabilidade dos cultivos e reposição do solo em grandes importadores. No mercado de nitrogenados, a companhia prevê manutenção de um balanço apertado na virada para 2027, sustentado por gargalos de fornecimento, custos elevados de energia e compras ativas de Brasil e Índia. Já para os fosfatados, o cenário delineado para os próximos trimestres permanece condicionado pelas restrições de suprimento e pelos elevados patamares de preço do enxofre elementar, que limitam as taxas de operação das plantas industriais globais.

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