EUA e Irã mantêm negociações indiretas mediadas por Catar e Paquistão com foco no Estreito de Ormuz

Donald Trump rejeita proposta de Teerã para reabertura de trânsito naval em troca do fim do bloqueio comercial, enquanto Washington estima esgotamento iminente das cargas de petróleo iraniano na China.

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 22:53
Pedro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta segunda-feira (28/09) a condução de contatos diplomáticos indiretos entre emissários norte-americanos e iranianos. Embora Trump tenha vinculado publicamente as tratativas ao programa nuclear de Teerã, as negociações mediadas por Catar e Paquistão concentram-se no desbloqueio da navegação pelo Estreito de Ormuz e na desescalada do confronto militar no Golfo Pérsico. As conversas ocorrem nos bastidores da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, onde permanece o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, após uma rodada inicial de conversações indiretas realizada em 15 de setembro.


O diálogo enfrenta divergências estruturais sobre os termos de uma trégua marítima. O governo iraniano condicionou a liberação irrestrita do tráfego comercial em Ormuz ao levantamento do bloqueio naval imposto pelas forças armadas dos Estados Unidos ao comércio exterior do país e à repatriação integral de ativos financeiros iranianos congelados no exterior. Trump rejeitou publicamente os termos apresentados no último fim de semana e negou categoricamente relatos de que teria ofertado alívio de sanções ou liberação de recursos retidos. Em contrapartida, Araghchi sustentou que Teerã aguarda uma formalização da resposta por meio dos intermediários e refutou a tese de que o país estaria protelando concessões à espera do desfecho das eleições de meio de mandato (midterms) nos EUA marcadas para 3 de novembro.


O aperto econômico sobre a cadeia petrolífera do país persa intensifica a urgência das discussões. O bloqueio naval norte-americano, ativo desde meados de julho, paralisou as novas exportações de óleo cru do país, restringindo os embarques à drenagem gradual de volumes armazenados em unidades flutuantes (floating storage) destinados a refinarias independentes chinesas (teapots). Segundo estimativas do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, restam apenas cerca de 15 milhões de barris de petróleo iraniano embarcados em petroleiros aptos a descarregar na China, o que deve exaurir as entregas finais em até duas semanas. No corredor de escoamento, o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz somou 45 trânsitos no final de semana de 26 e 27 de setembro, atingindo 17% da média histórica pré-conflito (de 135 passagens diárias), registrando leve recuperação operacional frente aos níveis da semana anterior.

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