El Niño ameaça transformar superávit do açúcar em déficit global e impulsiona cotações em mais de 25%

Chuvas excessivas no Centro-Sul do Brasil podem cortar exportações em 2 milhões de t, enquanto estiagem castiga lavouras na Índia e na Tailândia.

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 01:00
Pedro

O mercado global de açúcar pode reverter a expectativa inicial de superávit e ingressar em um quadro de déficit na nova temporada, pressionado pelos impactos climáticos associados a um forte padrão de El Niño. Refletindo o aumento dos riscos operacionais e produtivos nas principais regiões canavieiras do mundo, os contratos futuros de açúcar bruto acumulam valorização superior a 25% nas bolsas internacionais desde julho.


As principais ameaças ao equilíbrio entre oferta e demanda concentram-se nos maiores polos exportadores globais: Brasil, Índia e Tailândia. No Centro-Sul brasileiro, principal produtor e exportador do adoçante, índices pluviométricos severamente acima das médias históricas vêm desacelerando o ritmo de colheita e moagem de cana-de-açúcar. A perda acumulada de dias úteis de processamento nas usinas pode acarretar uma redução de cerca de 2 milhões de toneladas nos embarques brasileiros de açúcar para o mercado internacional.


Simultaneamente, outros centros produtores enfrentam condições climáticas adversas complementares. Na Índia, a distribuição irregular e o volume enfraquecido das monções limitam a produtividade agrícola dos canaviais, enquanto as regiões produtoras da Tailândia registram seca prolongada. Na Europa, episódios severos de calor reduziram drasticamente as perspectivas para a beterraba sacarina, configurando o pior rendimento de safra no continente em mais de uma década. A persistência desse estresse agroclimático deve sustentar os preços do açúcar em patamares elevados, com analistas monitorando potenciais transbordamentos de volatilidade para outras commodities agrícolas sensíveis ao fenômeno climático, como arroz, café, cacau e óleo de palma.

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