Egito pode ampliar importações de milho dos EUA e da América do Sul para compensar interrupções ucranianas e atender demanda recorde do setor avícola
USDA projeta importações egípcias de milho em pelo menos 13 milhões de toneladas nos anos comerciais atual e seguinte, com Brasil ampliando participação, Argentina retomando espaço e milho americano ganhando oportunidades no outono
O Egito pode ampliar suas importações de milho dos EUA e de outros fornecedores da América do Norte e do Sul nos próximos meses para compensar as interrupções nos embarques ucranianos e atender à demanda em rápido crescimento do setor avícola. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), as importações egípcias devem alcançar pelo menos 13 milhões de toneladas nos anos comerciais atual e seguinte, estabelecendo novo recorde. O consumo de milho forrageiro é projetado em 17,4 milhões de toneladas em 2026/27, cerca de 4 milhões de toneladas acima da média dos últimos anos. Após importações fortes na primavera, no entanto, as compras desaceleraram, com a queda nos preços do frango reduzindo as margens de importação e enfraquecendo a atividade de compra. A interrupção das exportações ucranianas ocorre justamente quando o Egito precisa acelerar as compras, e analistas apontam que mesmo com a retomada dos embarques pelo Mar Negro, a Ucrânia precisará de tempo para restaurar volumes normais de exportação.
Caso as exportações ucranianas permaneçam limitadas, o Brasil deve reforçar sua posição como principal fornecedor do Egito, país que já responde por mais da metade das importações egípcias de milho. Recentemente, no entanto, o milho brasileiro tornou-se menos competitivo devido aos preços de exportação mais elevados, impulsionados pela forte demanda doméstica dos produtores de etanol e pela alta dos futuros de milho na CBOT. A Argentina também vem retomando participação no mercado egípcio, com exportações nesta temporada já superando qualquer ano comercial desde 2020/21, apoiadas por amplos estoques e preços mais competitivos frente ao Brasil. A situação também pode abrir espaço para o milho americano, com o início da colheita nos EUA no outono, embora analistas alertem que maior dependência da oferta americana deixaria os compradores egípcios mais expostos à volatilidade global de preços e às incertezas sobre a safra dos EUA.
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