Déficit das monções na Índia chega a 14% e pressiona safra kharif e geração de energia

Falta de chuvas atinge península sul com maior intensidade (-27%), reduz área de arroz em 4% e força bombeamento subterrâneo, sobrecarregando térmicas a carvão.

Publicado em 13 de setembro de 2026 às 02:13
Atualizado em 13 de setembro de 2026 às 02:17
Pedro

O volume acumulado da monção de sudoeste na Índia ficou 14% abaixo da média histórica entre 1º de junho e 7 de setembro de 2026, com precipitações de 642,9 mm ante a média normal de 748,2 mm para o período, segundo dados do Departamento Meteorológico da Índia (IMD). A península meridional registrou o déficit mais agudo do país, com precipitação 27% inferior ao padrão histórico. Embora o IMD preveja instabilidades adicionais nos próximos dias, a projeção oficial para o fechamento de setembro segue apontando chuvas abaixo da média (com estimativa de retração de 9% pelo órgão oficial e até 20% pela consultoria Skymet), caminhando para o menor volume pluviométrico sazonal desde 2009.


O estresse hídrico provocou impactos diretos sobre o encerramento do plantio da safra kharif de 2026. A área cultivada com arroz em casca (paddy) recuou 4% em relação ao ciclo anterior, somando 42,18 milhões de hectares, com retrações expressivas em estados estratégicos como Karnataka, Telangana, Uttar Pradesh, Andhra Pradesh e Madhya Pradesh. No total, a área semeada com culturas de verão (kharif) totalizou 108,63 milhões de hectares — uma defasagem de 1,6% a 1,63% em relação à média quinquenal de 110,4 milhões de hectares. Especialistas e agências de análise como a Crisil alertam que o risco agora migra da extensão de área para as produtividades de lavouras pouco irrigadas (como algodão, milho, soja e amendoim), com potencial de manter a inflação de alimentos pressionada nas próximas semanas e elevar as incertezas para a subsequente safra de inverno (rabi).


Além da agricultura, o déficit pluviométrico desdobrou-se em gargalos para o setor elétrico indiano. A geração hidrelétrica registrou queda anual de 14% em julho, enquanto a combinação de tempo seco e calor ampliou o acionamento de aparelhos de ar-condicionado e forçou produtores rurais a recorrerem ao bombeamento intensivo de águas subterrâneas para irrigar os arrozais. Esse quadro fez a demanda de pico por energia saltar para 256 GW na primeira semana de setembro, gerando déficits diários superiores a 20 milhões de unidades (MU). A sobrecarga sobre o parque gerador acelerou a drenagem dos estoques de carvão mineral em 190 usinas térmicas para uma média de 8,5 dias de operação (26,7 milhões de toneladas em 6 de setembro), deixando 58 unidades operando sob níveis críticos de combustível, abaixo de 25% da capacidade operacional regulamentar.

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