Conab projeta safra de 360,8 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26 com forte impulso de soja e milho

Expansão de área plantada sustenta oferta exportável das principais commodities, enquanto recuo severo de 26% no trigo pressionará a necessidade de importações.

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 09:45
Atualizado em 14 de agosto de 2026 às 14:03
Pedro

A produção brasileira de grãos deve alcançar 360,8 milhões de toneladas na temporada 2025/26, marcando um incremento de 2,4% (8,5 milhões de toneladas) em relação ao ciclo anterior, segundo o 11º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço produtivo é impulsionado primordialmente por uma expansão de 2,1% na área total cultivada, que atingiu 83,5 milhões de hectares, compensando a estabilidade da produtividade média nacional em 4.322 kg/ha. A soja lidera o volume com uma estimativa de 180,5 milhões de toneladas, ancorada na forte produção de Mato Grosso (51,6 milhões) e no alto rendimento agrícola da Bahia. O milho também apresenta robustez comercial, com oferta total projetada em 143 milhões de toneladas, sendo 111 milhões de toneladas provenientes da safrinha — volume essencial para ditar o ritmo de escoamento logístico e as exportações no segundo semestre.


No balanço das culturas voltadas ao mercado interno e de inverno, o cenário exige reposicionamento de suprimentos. O trigo desponta como o principal gargalo comercial da temporada: pressionada por um corte de 20,4% na área semeada, a produção do cereal deve despencar 26,2% ante 2025, limitando-se a 5,8 milhões de toneladas. Esse encolhimento na oferta doméstica inevitavelmente forçará os moinhos brasileiros a ampliarem os volumes de importação, sobretudo do Mercosul, para garantir o abastecimento ao longo do ano.


Paralelamente, culturas essenciais para o consumo nacional registraram quedas operacionais que, segundo a Conab, não ameaçam a segurança do abastecimento interno. A produção de arroz foi estimada em 11,1 milhões de toneladas, refletindo um recuo estratégico de 14% na área plantada, enquanto a colheita total de feijão deve cair 3,2%, somando 3 milhões de toneladas. No setor de fibras, o algodão mantém um fluxo de colheita aquecido e favorecido pelo clima, com projeção final de 4,1 milhões de toneladas de pluma, garantindo lastro para a forte demanda de exportação.

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