Ataques danificam terminais graneleiros no Mar Negro e paralisam até 80% da capacidade russa de exportação

Levantamento da Reuters aponta danos severos em três grandes portos que respondem por 20% da infraestrutura regional; terminal da NKHP em Novorossiysk pode levar até seis meses em reparos.

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 22:51
Pedro

Uma análise conduzida pela agência Reuters sobre as condições operacionais de nove dos maiores terminais de grãos da Rússia nas bacias do Mar Negro e do Mar de Azov — além de instalações menores no delta do Rio Don — revelou que ataques recentes comprometeram gravemente o principal corredor de escoamento agrícola do país, responsável historicamente por movimentar até 70% das exportações russas de grãos. Dos nove maiores complexos portuários avaliados, três sofreram danos estruturais severos, imobilizando cerca de 20% da capacidade total instalada de embarque na região, com obras de restauração estimadas em vários meses.


O impacto sobre as principais unidades portuárias divide-se entre danos físicos e paralisações preventivas:


  1. Terminal NKHP (Novorossiysk):* Principal instalação atingida, com capacidade nominal de 7,1 milhões de toneladas ao ano, teve sua galeria de esteiras transportadoras destruída. A estimativa preliminar para reconstrução e retomada técnica varia de quatro a seis meses.
  2. Terminais KSK e NZT (Novorossiysk):* As outras duas grandes estruturas de Novorossiysk registraram avarias leves e encontram-se tecnicamente aptas a reiniciar os carregamentos de navios graneleiros.
  3. ZTKT (Taman) e Taganrog:* O terminal graneleiro de Taman (capacidade de 5,5 milhões de t/ano) e as instalações portuárias de Taganrog suspenderam integralmente as operações. Juntos, os dois ativos somam uma capacidade de 6,7 milhões de toneladas anuais, sem previsão clara para retomada das atracações.


Do ponto de vista logístico e de segurança, o risco operacional provocou um apagão generalizado nos embarques: cerca de 53 milhões de toneladas anuais em capacidade de transbordo encontram-se temporariamente inoperantes por razões de segurança marítima e securitária, de um universo total instalado em torno de 67 milhões de toneladas na região. No entanto, analistas do setor indicam que até 80% desse volume ocioso poderia ser reativado com relativa rapidez caso ocorra uma desescalada nos ataques mútuos e haja redução nos prêmios de risco de frete e navegação no Mar Negro.

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