AM Green vence lote asiático do programa alemão H2Global e garante contrato de € 585 milhões em amônia verde

Acordo de fornecimento por 10 anos a partir da expansão em Kakinada reforça inserção da Índia no mercado europeu de insumos sustentáveis.

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 00:43
Pedro

A desenvolvedora indiana de energia limpa AM Green foi selecionada pela Hintco — agência executora do mecanismo estatal alemão H2Global — como a vencedora exclusiva do lote asiático na segunda rodada de leilões do programa europeu. A contratação estabelece um acordo de compra de longo prazo para o fornecimento de amônia verde com valor mínimo de € 585 milhões (aproximadamente US$ 649,35 milhões / R$ 3,35 bilhões) ao longo de dez anos, o que corresponde a cerca de € 58,5 milhões anuais (US$ 64,94 milhões / R$ 335,06 milhões), com entregas marítimas programadas para iniciar em 2029. Embora a agência compradora não tenha aberto os volumes físicos anuais contratados nem o preço final entregue (delivered price), o arranjo prevê a aquisição de lotes complementares por meio de leilões secundários na Europa, viabilizados com as receitas obtidas nas vendas aos consumidores finais alemães.


O leilão integra o segundo ciclo de compras públicas do H2Global, lançado em 2025 com dotação orçamentária total de € 2,5 bilhões (cerca de US$ 2,78 bilhões / R$ 14,32 bilhões) e dividido em lotes geográficos específicos para Ásia, África, América do Norte, América do Sul e Oceania, cujas ofertas foram encerradas em março de 2026 e aguardam divulgação completa dos resultados ainda neste ano. Para a AM Green, o contrato assegura um canal de escoamento para a segunda fase do projeto de Kakinada, em Andhra Pradesh, planta originalmente configurada para síntese convencional a gás que está sendo convertida com eletrolisadores alcalinos da fabricante belga John Cockerill e alimentada por matriz renovável apoiada por armazenamento hidrelétrico reversível (pumped-hydro). Com a primeira etapa de 500 mil toneladas por ano integralmente compromissada em contrato com a concessionária alemã Uniper, a nova contratação oferece ancoragem comercial para a duplicação fabril planejada.


O volume anual viabilizado pela receita de € 58,5 milhões dependerá diretamente dos custos adicionais associados aos critérios europeus de combustíveis renováveis de origem não biológica (RFNBO) e às despesas logísticas transoceânicas. Tomando como parâmetro as cotações do leilão doméstico da Índia, na faixa de US$ 519 a US$ 675 por tonelada, e adicionando um frete marítimo estimado de US$ 200 por tonelada (cerca de R$ 1.032 por tonelada), o aporte representaria entre 75,9 mil e 92,4 mil toneladas anuais. Contudo, considerando custos de produção estritamente compatíveis com as exigências de sustentabilidade da UE da ordem de US$ 800 por tonelada, o montante equivaleria a aproximadamente 66,4 mil toneladas por ano — cobrindo menos de 20% da capacidade projetada para a fase dois —, consolidando um marco estratégico para o fluxo de exportações de fertilizantes e matérias-primas químicas descarbonizadas da Índia rumo ao bloco europeu.

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