Sindiadubos-PR projeta retração de até 15% no mercado de fertilizantes em 2026
Início da cobrança de PIS/Cofins e nova MP do frete mínimo somam-se às tensões em Ormuz para pressionar custos do Agro
O Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR) emitiu um alerta contundente nesta segunda-feira (30) sobre o risco de encolhimento do mercado nacional de fertilizantes. Após o recorde de 49 milhões de toneladas entregues em 2025, a entidade projeta uma queda entre 10% e 15% no volume para este ano. A retração é impulsionada por uma "tempestade perfeita" que combina a instabilidade geopolítica no Oriente Médio com mudanças tributárias e logísticas no ambiente doméstico brasileiro.
No front interno, o setor lida com dois fatores de pressão imediata: a regulamentação da reforma tributária, que prevê o início da cobrança de PIS/Cofins sobre fertilizantes em 1º de abril, e os impactos da Medida Provisória nº 1.343/2026, que altera as regras do frete mínimo. Segundo Aluísio Schwartz, presidente do Sindiadubos-PR, essa combinação eleva o custo de produção de forma abrupta, levando produtores a postergarem as compras e ameaçando a viabilidade de áreas plantadas de soja, milho e café, o que deve resultar em repasse de preços ao consumidor final.
O cenário é agravado pela dependência externa de insumos críticos. O possível fechamento do Estreito de Ormuz coloca em risco 44% do suprimento global de enxofre, essencial para a produção de fosfatados, enquanto a China mantém restrições severas às suas exportações. Com a logística portuária já operando sob pressão e o petróleo em alta encarecendo o frete marítimo, as entidades do setor (Sindiadubos, Anda e AMA) intensificaram a articulação em Brasília via FPA. As principais demandas incluem o adiamento do PIS/Cofins e a revisão das regras do frete para garantir o abastecimento da safra que se inicia em setembro.
Fonte: Estadão
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