Bloqueio dos EUA zera exportações marítimas de petróleo do Irã, mas produção resiste

Divergências sobre capacidade de armazenamento indicam que Teerã pode manter operações por até dois meses em meio ao estrangulamento logístico

Publicado em 14 de maio de 2026 às 22:06
Pedro

O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, que completou quase um mês, conseguiu paralisar efetivamente o escoamento de petróleo bruto de Teerã. Antes da restrição iniciada em 13 de abril, as exportações marítimas iranianas apresentavam uma média de 1,8 milhão de barris por dia. Desde então, nenhuma carga do tipo conseguiu ser exportada de forma bem-sucedida. O cenário operacional da região, no entanto, apresenta estatísticas divergentes: enquanto o Comando Central dos EUA (CENTCOM) relata o redirecionamento de 67 embarcações comerciais e a inabilitação de quatro navios, levantamentos da Vortexa indicam que 88 navios transportando commodities energéticas teriam contornado o cerco, com nove interceptações confirmadas pelas forças americanas.


Apesar da asfixia logística, o impacto imediato na produção local tem sido menos drástico do que o projetado por Washington. A produção iraniana recuou apenas 130 mil barris por dia em abril, estabilizando-se em 2,95 milhões de barris diários, uma retração moderada viabilizada pelo uso de sua infraestrutura de estocagem. As estimativas sobre o fôlego operacional do país variam no mercado: a Kpler avalia o armazenamento utilizável em 39 milhões de barris em terra e 4 milhões no mar (margem para pouco mais de um mês), enquanto a consultoria FGE aponta uma capacidade terrestre próxima a 80 milhões de barris, o que permitiria a manutenção da produção por mais de dois meses. Enquanto as reservas físicas são testadas, o impasse diplomático se consolida, sem reuniões presenciais e com propostas reiteradamente rejeitadas, mantendo a pressão sobre a cadeia global de energia.

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.