PIB do agronegócio brasileiro recua 2,01% no primeiro trimestre de 2026, apontam Cepea e CNA

Queda dos preços das commodities e recuo na agricultura pressionam o setor, cuja participação no PIB nacional deve cair para 22,8% em 2026.

Publicado em 10 de agosto de 2026 às 22:46
Pedro

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro apresentou um recuo de 2,01% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o trimestre anterior, segundo estudo do Cepea/Esalq-USP em parceria com a CNA. O resultado estende o movimento de desaceleração observado desde o quarto trimestre de 2025, após um período de expansão nos nove primeiros meses do ano passado.


A retração no início do ano foi determinada pelo desempenho do ramo agrícola, que encolheu 3,62%, enquanto o ramo pecuário avançou 0,70%. Na divisão por segmentos, todos os elos da cadeia fecharam em queda: insumos (-2,15%), segmento primário (-4,15%), agroindústria (-1,03%) e agrosserviços (-1,25%).


A desvalorização das cotações foi o fator central para o resultado negativo. No segmento primário agrícola, a queda de 5,72% ocorreu porque a redução nos preços superou o impacto positivo do aumento previsto na colheita de culturas como soja, café e cana-de-açúcar. Da mesma forma, o primário pecuário recuou 1,77% sob pressão de preços menores, a despeito da expectativa de maior produção. Na agroindústria, o recuo de 2,31% na base agrícola (liderado por café e açúcar) superou a alta de 1,93% na base pecuária, beneficiada pela redução de custos do consumo intermediário. Nos agrosserviços, a agricultura cedeu 3,40%, enquanto a pecuária avançou 1,86% com a maior demanda por transporte e comércio.


Diante desse cenário, Cepea e CNA projetam que o PIB do agronegócio alcance R$ 3,13 trilhões em 2026, com R$ 1,88 trilhão do ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão da pecuária. Com isso, a participação estimada do setor no PIB total do país deve recuar para cerca de 22,8% em 2026, ante os 25,2% consolidados em 2025.

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