Malásia desenvolve fluido refrigerante à base de óleo de palma para reduzir custos e consumo hídrico em data centers
Tecnologia Sawit EcoTherm avança rumo à comercialização, prometendo cortar até 40% do gasto energético e substituir o uso intensivo de água no resfriamento de servidores.
O Conselho Malaio de Óleo de Palma (MPOB) está avançando no desenvolvimento e comercialização do Sawit EcoTherm, um fluido dielétrico de resfriamento de base vegetal desenvolvido a partir do óleo de palma para substituir os sistemas convencionais à base de água em data centers. A tecnologia já concluiu os testes em ambiente operacional e encontra-se em fase final de formalização de um acordo de licenciamento com um fabricante local para o início de sua produção em escala comercial.
A inovação surge como uma resposta estratégica à pressão sobre a infraestrutura de utilidades provocada pela rápida expansão dos centros de dados na Malásia, cujas operações já demandavam cerca de 28,7 milhões de litros de água por dia em janeiro. Segundo o MPOB, um data center típico de 100 MW consome entre 1,7 milhão e 4,2 milhões de litros diários nos sistemas tradicionais de resfriamento evaporativo, consumo que poderia ser virtualmente eliminado com a adoção da imersão em biofluido. Além do benefício ambiental, a alternativa apresenta expressiva vantagem de competitividade: o custo estimado do fluido fica entre US$ 2,44 e US$ 6,10 por quilo, consideravelmente inferior à faixa de US$ 12,20 a US$ 19,52/kg praticada para fluidos sintéticos e derivados de petróleo. Ao viabilizar a eliminação de ventiladores internos de servidores e de partes dos sistemas mecânicos de ar-condicionado, o uso do produto tem potencial para reduzir o consumo de eletricidade em até 40% e os custos operacionais totais em 30% a 50%.
O ganho de escala dessa tecnologia pode abrir um canal inédito de agregação de valor e sustentação de preços para o mercado de óleo de palma, acompanhando o salto da infraestrutura digital do país, que aprovou mais de 143 projetos de centros de dados e computação em nuvem avaliados em mais de US$ 35 bilhões entre 2021 e meados de 2025. Contudo, analistas e especialistas ponderam que a nova demanda industrial deve ser atendida por meio de ganhos de produtividade e processamento sustentável, evitando incentivos à expansão de novas áreas de plantio e desmatamento.
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