Estoques globais de petróleo estão criticamente baixos e recomposição levará até dois anos, alerta CEO da Aramco

Queda de 3 bilhões de barris desde o início da guerra entre EUA e Irã expõe fragilidade do sistema, enquanto novos ataques iranianos mantêm Estreito de Ormuz sob bloqueio prático.

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 17:51
Pedro

Os estoques mundiais de petróleo e derivados atingiram níveis de esgotamento classificados como "assustadoramente estreitos" após sete meses de graves distúrbios produtivos e logísticos provocados pela guerra entre os Estados Unidos e o Irã. O alerta foi emitido nesta segunda-feira (05/10) pelo presidente-executivo da estatal saudita Saudi Aramco, Amin Nasser, durante o Energy Intelligence Forum, em Londres. Classificando a crise atual como o mais severo choque de oferta energética de sua carreira de cinco décadas, o executivo advertiu que o colchão de resiliência e segurança do abastecimento global está operando em seus limites físicos.


Pelos cálculos apresentados por Nasser, o sistema internacional já consumiu mais de 3 bilhões de barris de petróleo de suas reservas desde a eclosão do conflito armado. O executivo revisou para cima o prazo necessário para reequilibrar os fundamentos: restabelecer os estoques estratégicos e comerciais aos padrões normais enquanto se atende à demanda corrente do consumo diário exigirá até dois anos de esforço produtivo contínuo — superando a estimativa anterior de 18 meses traçada no início de agosto. A gravidade da conjuntura decorre ainda do fato de que, dos cerca de 6 bilhões de barris remanescentes em armazenagem global, a ampla maioria não se encontra operacionalmente disponível para saque imediato, estando retida como volume morto operacional (tank bottoms) ou em trânsito dentro das malhas de oleodutos.


A respeito da intervenção coordenada anunciada na última semana pelo G7 — que prevê a liberação de 100 milhões de barris ao longo dos próximos quatro meses, com ênfase na oferta de diesel nos próximos 20 dias, como parte de um compromisso de 400 milhões de barris firmado em março —, Nasser enfatizou que se trata do "último grande recurso disponível na caixa de ferramentas". Para a liderança da petroleira saudita, as reservas de emergência estatais podem viabilizar a travessia do próximo inverno no Hemisfério Norte, mas são incapazes de resolver os desequilíbrios estruturais da oferta no longo prazo.


A descompressão sustentável dos mercados internacionais, segundo a Aramco, depende estritamente da reabertura irrestrita e segura do Estreito de Ormuz. Washington e Teerã, contudo, permanecem sem qualquer horizonte de entendimento diplomático para pôr fim às hostilidades. Em campo, o risco de navegação agravou-se nas últimas horas: o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) retomou investidas contra a marinha mercante e ordenou formalmente que um petroleiro que tentava ingressar no canal desse meia-volta sob ameaça de se tornar alvo imediato de disparos, segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), consolidando a interdição prática da principal artéria de óleo cru do planeta.

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