Índia prevê ciclo de investimentos de até US$ 10,7 bi em ureia sob nova política industrial

Nova regulamentação NIPU-2026 estimula expansão de capacidade para reduzir dependência externa até 2030/31, mas impõe margens de retorno mais estreitas e eleva demanda por GNL.

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 23:32
Atualizado em 21 de agosto de 2026 às 14:59
Pedro

A indústria de fertilizantes da Índia deve iniciar um novo ciclo de investimentos em bens de capital (Capex) estimado entre 800 bilhões e 900 bilhões de rúpias (aproximadamente US$ 9,5 bilhões a US$ 10,7 bilhões) nos próximos seis meses, impulsionada pela notificação da Nova Política de Investimentos para Ureia (NIPU-2026). As novas plantas industriais têm previsão de entrada em operação entre 3,5 e 4 anos, visando elevar substancialmente a autossuficiência nacional a partir do ano fiscal 2030/31. O movimento responde ao aumento contínuo da dependência externa de ureia pelo país, que importou cerca de 27% de sua demanda total em 2025/26 (consumo de 39,9 milhões de toneladas ante capacidade instalada de 30,6 milhões de t/ano), após anos sem expansões líquidas relevantes.


A nova política estabeleceu condições econômicas mais rigorosas em relação ao marco anterior (NIP-2012), reduzindo a banda de retorno sobre o patrimônio líquido (RoE) de 12% a 20% para 12% a 16%. Para um preço de gás entregue de até US$ 6,50/mmBtu, os preços mínimos e máximos fixados para unidades greenfield recuaram 8% e 12%, ficando em US$ 281/t e US$ 296/t, respectivamente (ante US$ 305/t e US$ 335/t no modelo anterior), mantendo-se o reajuste de US$ 2/t para cada variação de US$ 0,10/mmBtu no gás. O ajuste deve reduzir o Ebitda anual de uma planta padrão de 1,27 milhão de t/ano em 2,5 bilhões a 2,8 bilhões de rúpias, exigindo que os operadores mantenham rigoroso controle de custos e taxa de ocupação superior a 95% para preservar o índice de cobertura do serviço da dívida (DSCR), projetado em confortáveis 1,26 vez ao longo do horizonte de oito anos da política.


A expansão fabril intensificará a dependência estrutural do setor por gás natural liquefeito (GNL), cuja participação na matriz de consumo da indústria indiana de fertilizantes saltou de 64% em 2020/21 para cerca de 85% em 2025/26. Cada nova unidade de 1,27 milhão de t/ano demandará aproximadamente 2,2 milhões de metros cúbicos diários de gás (cerca de 0,6 milhão de t/ano de GNL), exigindo maior diversificação nos contratos de suprimento para evitar a vulnerabilidade a choques geopolíticos no Oriente Médio, a exemplo do salto nos custos médios do pool de gás para o setor químico, que atingiram US$ 19/mmBtu em abril de 2026 frente aos US$ 13/mmBtu anteriores. Além de transportadoras e distribuidoras de gás, o novo ciclo de Capex deve aquecer a carteira de encomendas de empreiteiras EPC e fabricantes de bens de capital especializados em reatores, trocadores de calor e conversores de amônia.

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