Exportações de grãos da Rússia caem 37,6% em julho com interrupções no Mar Negro
Volume recua para 2 milhões de toneladas sob impacto de gargalos logísticos e ataques a portos, apesar da forte competitividade de preços do trigo russo.
A Rússia exportou 2,026 milhões de toneladas de seus principais grãos em julho de 2026, volume que representa uma queda expressiva de 37,6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. De acordo com o monitoramento de mercado da União de Grãos da Rússia, os embarques de trigo recuaram 17,7%, totalizando 1,8 milhão de toneladas. Outras culturas também sofreram retrações significativas: as exportações de milho despencaram de 521,4 mil toneladas para 146,3 mil toneladas, enquanto as de cevada caíram de 567 mil toneladas para apenas 101,4 mil toneladas. Consequentemente, a média diária de embarques de grãos diminuiu para 65,4 mil toneladas, contra 104,8 mil toneladas registradas em julho de 2025.
Segundo a União de Grãos, a retração foi provocada principalmente por interrupções na logística marítima na bacia de Azov-Mar Negro. A queda mais acentuada ocorreu no último decêndio de julho, quando as exportações totais despencaram 61,3% no comparativo anual, para 685 mil toneladas, e os envios de trigo cederam 55,5%. Em resposta à crise logística e aos gargalos operacionais, o Ministério dos Transportes da Rússia criou uma força-tarefa de coordenação especial, em meio a relatos de que a infraestrutura portuária na região de Taman sofreu danos após um ataque de drones. O cenário afetou diretamente o escoamento, com os grãos sendo operados por apenas 21 portos no mês, ante 38 terminais um ano antes.
Em termos de rotas comerciais, o trigo russo foi enviado para 23 países em julho, em comparação com 27 destinos no ano anterior. O Egito se manteve como o maior comprador, embora as entregas tenham caído 31,7%, para 344 mil toneladas. Por outro lado, as exportações para várias nações africanas registraram aumento, incluindo o Quênia (alta de quase 1,8 vezes, para 194,5 mil toneladas) e o Sudão (avanço de 31%, para 177 mil toneladas), além da manutenção de fluxos comerciais com a Tanzânia, Nigéria, Líbia, Somália, Angola e os Emirados Árabes Unidos. O porto de Novorossiysk continuou sendo o principal polo de exportação, mesmo com uma queda de 23,7% nos embarques portuários.
Apesar da redução acentuada nos volumes exportados, o produto russo mantém forte competitividade no mercado global. Em 1º de agosto, as cotações FOB do trigo em Novorossiysk giravam em torno de US$ 232 por tonelada, garantindo um desconto de US$ 35 por tonelada em relação ao trigo de origem europeia. No entanto, analistas do setor apontam que a escalada dos riscos geopolíticos e as contínuas interrupções no transporte marítimo regional estão afetando cada vez mais a execução dos contratos, o que pode reduzir ainda mais o potencial das exportações de grãos da Rússia ao longo da temporada 2026/27.
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