USDA projeta queda de 18% nos estoques finais de milho dos EUA em 2026/27 com quebra de produtividade
Seca no Corn Belt reduz projeção de safra para 15,8 bilhões de bushels e derruba relação estoque/uso para 9,7%, elevando sustentação aos preços no mercado físico e futuro.
Os estoques finais de milho dos Estados Unidos para a temporada comercial 2026/27 devem registrar um recuo de 18% em relação ao ciclo anterior, atingindo 1,567 bilhão de bushels, de acordo com as estimativas mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A nova projeção aprofunda o aperto no quadro de suprimento norte-americano frente ao levantamento de agosto, quando os estoques haviam sido estimados em 1,653 bilhão de bushels, distanciando-se ainda mais do volume de 1,922 bilhão de bushels apurado no fechamento da safra 2025/26.
O principal vetor de contenção dos estoques repousa na revisão negativa sobre o volume colhido. O órgão norte-americano reduziu a estimativa da produção nacional de milho para 15,8 bilhões de bushels em 2026, montante 213 milhões de bushels inferior ao número projetado em agosto e cerca de 7% abaixo da safra colhida em 2025. O rendimento médio das lavouras foi cortado de 180,7 para 178,5 bushels por acre — patamar significativamente inferior aos 186,5 bushels por acre registrados na safra passada —, reflexo direto do clima seco e das temperaturas elevadas registradas em importantes faixas do Corn Belt na reta final do verão.
Para contrabalançar a menor disponibilidade física do cereal, o USDA ajustou a absorção interna ao rebaixar a previsão de consumo para ração animal e uso residual em 150 milhões de bushels, fixando-o em 5,95 bilhões de bushels. Já as estimativas para os embarques de exportação foram mantidas inalteradas em 3,275 bilhões de bushels, totalizando um consumo doméstico agregado de 12,905 bilhões de bushels.
Diante da retração na oferta e do ajuste correspondente no consumo, a relação estoque/uso da safra 2026/27 caiu para 9,7%, ante 10,1% projetados no relatório de agosto. Analistas de mercado ressaltam que o ritmo firme da demanda externa, aliado à atividade industrial estável nas plantas de etanol e ao consumo das cadeias de proteína animal, atua como suporte direto às cotações, ampliando a volatilidade e a sensibilidade dos preços aos resultados consolidados da colheita em campo.
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