Rabobank projeta retração de 7% na demanda global por fosfatados e aponta enxofre como principal gargalo de custos
Queda de quase 40% nas exportações mundiais de enxofre eleva custos industriais; potássio mantém estabilidade e agricultores australianos racionam ureia.
O mercado global de fertilizantes segue pressionado por preços elevados, entraves logísticos e deterioração no poder de compra dos produtores rurais, de acordo com o relatório mais recente de perspectivas do Rabobank. O segmento de fertilizantes fosfatados concentra os maiores desafios estruturais da indústria química, penalizado diretamente pelos altos custos das matérias-primas e pela oferta física restrita, fatores que deprimem o consumo em escala mundial.
O principal vetor de inflação nos fosfatados repousa na cadeia do enxofre, cujas exportações globais despencaram quase 40% na comparação interanual durante o primeiro semestre de 2026. A escassez do insumo levou os preços da matéria-prima a patamares recordes, encarecendo a síntese de ácido sulfúrico e a produção de adubos fosfatados industriais. Diante desse descompasso nas margens de aplicação, o Rabobank projeta uma retração de 7% na demanda global por fosfatados ao longo deste ano.
No mercado de nitrogenados, o cenário apresenta sinais de recomposição gradual. As cotações internacionais da ureia recuaram dos picos atingidos logo após a eclosão das tensões no Oriente Médio, embora a volatilidade continue pautando o fechamento dos negócios. Para o consolidado de 2026, a instituição estima um recuo de cerca de 5% na demanda global por ureia, refletindo a cautela dos agricultores nas principais praças agrícolas.
Em contrapartida, os fertilizantes potássicos mantêm o comportamento mais previsível entre os macroelementos nutricionais. Os fluxos de suprimento de potássio sofreram impactos substancialmente menores frente aos choques geopolíticos e gargalos logísticos vigentes, levando o Rabobank a projetar estabilidade na demanda global do nutriente em comparação aos níveis registrados em 2025.
No âmbito regional, a Austrália conseguiu evitar episódios agudos de desabastecimento, totalizando a importação de 2,92 milhões de toneladas de ureia desde novembro de 2025 — volume cerca de 15% abaixo da média recente histórica do país. Contudo, o encarecimento dos produtos vem forçando os agricultores australianos a reduzir as dosagens aplicadas por hectare, adaptar planos de rotação de culturas e priorizar sistemas de produção com menor dependência de adubação nitrogenada.
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