Exportações brasileiras de algodão batem recorde em abril e somam 370,4 mil toneladas

Desempenho reflete consolidação do país como fornecedor regular e ganhos de competitividade da fibra natural em meio à alta do petróleo

Publicado em 11 de maio de 2026 às 20:57
Pedro

As exportações brasileiras de algodão atingiram um marco histórico em abril de 2026, totalizando 370,4 mil toneladas, o maior volume já registrado para o mês. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o resultado representa um salto de 54,9% em volume e um avanço de 43,7% na receita, que alcançou US$ 560,6 milhões na comparação com o mesmo período do ano passado. O desempenho consolida a fibra na terceira posição entre os produtos do agronegócio mais embarcados no mês e demonstra que o Brasil ganhou consistência comercial, mantendo um ritmo forte de escoamento mesmo fora da janela historicamente considerada de pico. Entre os principais destinos da pluma brasileira, Bangladesh liderou as compras com 18,4% de participação, seguido por Paquistão (17,5%), China (14,8%), Vietnã (12,2%) e Turquia (11,8%).


Um dos destaques operacionais do mês foi a manutenção das aquisições por parte da Índia, que respondeu por 11% dos embarques totais. O mercado indiano segue comprando volumes relevantes da pluma nacional mesmo após o fim da isenção tarifária de importação, encerrada em dezembro do ano passado, sinalizando a consolidação do algodão do Brasil em sua matriz têxtil. Paralelamente, a dinâmica geopolítica global tem influenciado o ambiente de negócios para as fibras. A instabilidade no Oriente Médio e a restrição de fluxo no Estreito de Ormuz mantiveram os preços do petróleo Brent em patamares elevados ao longo de abril, ultrapassando os US$ 120 por barril antes de retornarem à faixa de US$ 100 mediante sinais de negociação diplomática. Diante desse encarecimento na cadeia de energia, o algodão brasileiro amplia sua competitividade internacional como alternativa às fibras sintéticas derivadas do petróleo, aliando regularidade de oferta a atributos valorizados pela indústria da moda, como qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade ambiental.

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.