Embarque de ureia para a Índia é cancelado por suspeita de ligação com o Irã e sanções dos EUA

Navio graneleiro que atendia à leilão de 2,5 milhões de toneladas da IPL apresentou anomalias de rastreamento no Oriente Médio

Publicado em 11 de maio de 2026 às 21:01
Pedro

Um carregamento de ureia com destino à Índia, negociado na leilão de 2,5 milhões de toneladas realizado pela Indian Potash Limited (IPL) em 15 de abril, foi cancelado após autoridades levantarem preocupações sobre possíveis ligações da origem do produto com o Irã. A carga, que era transportada pelo navio graneleiro Infinity, havia sido vendida pela Aditya Birla Global Trading (ABGT). O escrutínio ocorreu devido ao risco de violação das sanções dos Estados Unidos, que limitam estritamente os negócios com entidades iranianas. Diante do impasse, a ABGT retirou a oferta, reiterando seu compromisso com a conformidade regulatória, e propôs uma carga substituta para o consórcio indiano. Pelo menos um outro fornecimento de uma empresa menor também foi retirado pelo mesmo motivo.


Embora o governo indiano mantenha relações diplomáticas com Teerã e tradicionalmente não reconheça sanções unilaterais, os importadores e autoridades têm adotado uma postura conservadora para mitigar riscos logísticos e financeiros. O Irã é um fornecedor global relevante de fertilizantes, mas suas exportações continuam severamente restringidas pelas sanções à sua indústria petroquímica e pelos gargalos de navegação no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã. Esse cenário de restrição de oferta e guerra já causou impactos diretos nos custos de importação da Índia, com os preços de referência da ureia acordados no último mês atingindo quase o dobro dos patamares anteriores ao conflito.


As suspeitas sobre o fornecimento da ABGT foram agravadas pelo histórico recente de navegação do Infinity, que possui capacidade de porte bruto de cerca de 30 mil toneladas. O navio graneleiro desligou seu transponder de localização (AIS) por mais de um mês após sinalizar presença perto do porto de Sohar, em Omã, no final de fevereiro, reaparecendo no Golfo de Omã apenas em 12 de abril. Durante a tentativa de viagem à Índia, os dados de rastreamento da embarcação registraram movimentações erráticas e incompatíveis com o tempo de deslocamento, sugerindo a manipulação do sinal tático — uma prática utilizada na região para camuflar escalas em portos sancionados. O navio não chegou a constar na lista de atracações esperadas no porto indiano de Kandla e, segundo as últimas atualizações, retornou totalmente carregado sinalizando Sohar (no Omã) como seu próximo destino.

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