Boletim Portuário do Oriente Médio: Status das operações e restrições logísticas (16/04)

Catar desvia importações para portos vizinhos, Kuwait barra navios iraquianos e EAU criam corredor rodoviário expresso para manter o fluxo de contêineres

Publicado em 16 de abril de 2026 às 21:34
Pedro

O cenário logístico e portuário no Oriente Médio segue operando sob forte pressão, segundo os dados do boletim atualizado nesta quarta-feira (15), dividindo-se entre a normalidade no fluxo de cargas gerais e gargalos severos no setor energético e na segurança de navegação. Nos Emirados Árabes Unidos, os principais terminais, como Fujairah, Jebel Ali e Khalifa, mantêm suas operações regulares, mas as autoridades emitiram um grave alerta de navegação devido a incidentes contínuos de bloqueio e falsificação de sinal de GPS (spoofing) nas áreas offshore de Fujairah. O problema, que causa leituras erráticas nos sistemas eletrônicos dos navios, transformou a área em uma zona de alto risco. Para mitigar impactos na cadeia de suprimentos e agilizar o desembaraço aduaneiro, os EAU implementaram um corredor rodoviário direto para contêineres entre Fujairah/Khor Fakkan e os portos de Jebel Ali e Abu Dhabi.


A insegurança eletrônica na região também forçou Omã a adotar medidas rígidas. Embora todos os seus portos estejam operacionais, o país agora proíbe a atracação no terminal de petróleo de Mina Al Fahal de qualquer embarcação que não possua o medidor de velocidade e distância (Doppler log) em perfeito funcionamento, uma precaução direta contra as interferências de satélite. Além disso, navios com cargas perigosas precisam de autorização ministerial prévia para adentrar águas omanenses.


O impacto mais profundo, no entanto, é sentido no escoamento de commodities energéticas, um fator crítico para o monitoramento contínuo das rotas que cruzam a região de Ormuz e o Golfo Pérsico. No Catar, embora os portos comerciais operem com volume reduzido, a QatarEnergy suspendeu a produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) e produtos associados, paralisando também os terminais de Al Shaheen e Ilha Halul. Para manter o abastecimento interno, o governo catari orientou o desvio de rotas de importação de matérias-primas para portos parceiros em Omã e nos Emirados Árabes. Um cenário de paralisação energética semelhante ocorre no Iraque, onde, apesar do funcionamento normal dos portos de Umm Qasr e Khor al Zubair, as exportações de petróleo pelos terminais de Basrah e SPM Somo foram totalmente suspensas. Em um efeito cascata, o Kuwait proibiu temporariamente a entrada de navios oriundos de portos iraquianos em suas águas territoriais.


No Bahrein, o trânsito de embarcações foi retomado de forma limitada, mas as operações da petrolífera BAPCO continuam suspensas, e o fechamento do espaço aéreo tem inviabilizado a logística de troca de tripulações. Já nas áreas de tensão militar direta, como Israel e Líbano, a infraestrutura portuária segue operando. Os portos israelenses (Haifa, Eilat, Ashkelon) trabalham em plena capacidade, com exceção de Ashdod, que não está recebendo navios Ro-Ro. No Líbano, o fluxo logístico marítimo continua ativo e sem alertas das autoridades locais, a despeito da grave instabilidade na fronteira sul do país. Por fim, nações fundamentais para o fluxo comercial da região, como Arábia Saudita, Egito (incluindo o trânsito no Canal de Suez), Jordânia, Chipre e Paquistão, não relatam disrupções operacionais, mantendo o recebimento de navios e o despacho de cargas totalmente normalizados.


Fonte: Lloyd List

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